Frederick FLORIN / AFP
Frederick FLORIN / AFP

Deputados rejeitam alternativas a acordo de May sobre o Brexit

Dividida entre eurocéticos e pró-europeus, a Câmara não obteve consenso sobre propostas feitas pelos próprios integrantes

Redação, O Estado de S.Paulo

27 de março de 2019 | 21h43

LONDRES - Com o objetivo de encontrar uma saída para o impasse sobre o Brexit, o Parlamento votou consultivamente oito alternativas ao acordo da primeira-ministra Theresa May - de um Brexit suave à anulação do processo através da organização de um segundo referendo. Contudo, em uma Câmara muito dividida entre eurocéticos e pró-europeus, o resultado não adiantou para esclarecer nada: os deputados rejeitaram todas as propostas. 

"Aqui não há opções fáceis, não há um caminho simples", disse o ministro do Brexit, Stephen Barclay. Isso "reforça nossa visão de que o acordo negociado pelo governo é a melhor opção", acrescentou, pedindo para "todos os deputados da câmara, em nome do interesse nacional, respaldarem ele". 

Theresa May deu sua última cartada nesta quarta-feira para salvar seu impopular acordo do Brexit, prometendo renunciar assim que conseguir tirar o país da UE. 

Depois de concordar com um curto adiamento na data do Brexit, inicialmente marcado para esta sexta-feira, a UE advertiu que se o Reino Unido não adotar esta semana o acordo negociado entre Londres e Bruxelas, o país deve apresentar um plano B antes de 12 de abril. 

O acordo negociado por May com a UE já foi rejeitado pelos deputados duas vezes, em 15 de janeiro e 12 de março, mas a premiê decidiu nesta quarta-feira colocar na mesa sua última cartada, em uma tentativa desesperada de levá-lo a uma votação que talvez possa ocorrer nesta sexta-feira. 

Para esperar que o texto seja aprovado, May precisa convencer pelo menos 75 de seus próprios legisladores rebeldes, vários dos quais lhe pediram para abandonar as rédeas do partido, do governo e do Brexit. 

Então, a líder conservadora se reuniu com eles nesta quarta e disse: "Sei que alguns de vocês estão preocupados que se votarem a favor do Acordo de Saída, eu tomarei como um mandato para passar rapidamente à segunda fase de negociação. (...) Não farei isso". 

"Eu sei que há um desejo por uma nova abordagem - e uma nova liderança - na segunda fase das negociações do Brexit, e eu não vou me opor a isso", ele prometeu.

Apesar do caos, a tomada de controle pelo Parlamento aumenta as chances de que o Reino Unido acabe optando por um Brexit mais suave ou por pedir um longo adiamento da data de saída. 

Diante do Parlamento Europeu em Estrasburgo, o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, pediu nesta quarta para os eurodeputados ficarem "abertos a uma longa prorrogação se o Reino Unido desejar repensar sua estratégia para o Brexit".

May está confiante de que essa perspectiva convencerá os críticos do acordo de que é melhor aprovar do que assumir riscos. E ela espera que sua promessa de renúncia dê o empurrão que faltava. 

Sua aposta pareceu funcionar com alguns dos rebeldes conservadores eurocéticos, mas não todos. Acima de tudo, não impressionou o pequeno partido unionista da Irlanda do Norte, o DUP - de quem a frágil maioria de May no Parlamento depende -, que continua a se opor ao ponto mais conflituoso do acordo, a chamada "salvaguarda irlandesa". 

"Dado que as mudanças necessárias que queremos para a salvaguarda não foram acordadas entre o governo e a União Europeia, (...) não apoiaremos o governo se organizarmos uma nova votação", anunciou o DUP em comunicado, deixando de lado as esperanças da primeira-ministra.

Conscientes da dificuldade de acordar uma solução alternativa, os deputados tinham se dado dois dias para tentar identificar quais as opções teriam respaldo da maioria. Assim, a partir do resultado da votação de quarta-feira tentarão chegar a um consenso baseado no compromisso em outra sessão prevista na próxima segunda, embora seus resultados não fossem vinculantes. 

Os legisladores também aprovaram na quarta-feira a alteração oficial da data do Brexit, inicialmente agendado para 29 de março, para 12 de abril ou 22 de maio, dependendo de aprovarem ou não um acordo. / AFP

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