Deputados rejeitam moção de censura contra Villepin

A Assembléia Nacional da França rejeitou nesta terça-feira a moção de censura apresentada pela oposição socialista contra o governo conservador de Dominique de Villepin. A moção foi apresentada depois das acusações de que o premier estaria envolvido no escândalo político de Clearstream.O caso Clearstream, que ficou conhecido pelo nome do banco de Luxemburgo especializado em lavagem de dinheiro, está sendo investigado pelo judiciário francês. O chefe do governo da França é acusado de estar envolvido na divulgação de listas falsas em que políticos e empresários aparecem como titulares de contas no exterior com dinheiro de propina de uma venda de fragatas para Taiwan, em 1991. Entre os listados está o rival político de Villepin, o ministro do Interior, Nicolas Sarkozy.Um total de 190 deputados votaram a favor da moção, que precisava de pelo menos 289 votos para ser aprovada. Socialistas, Comunistas, Verdes e outros legisladores de esquerda apoiaram a medida, acompanhados por 11 membros do partido centrista UDF, que tradicionalmente apóia o governo. Esta foi a terceira moção que Villepin enfrentou desde que assumiu o cargo há um ano.A moção, que pode derrubar um governo, não tinha possibilidade alguma de prosperar pois a UMP, bloco conservador de Villepin, conta com a maioria absoluta na câmara (364 dos 577 assentos). O líder socialista Francois Hollande disse que a imagem internacional da França foi danificada, e que a autoridade política de Villepin está em frangalhos. "O Estado foi tomado como refém. Isto não é um governo, é um campo de batalha", afirmou Hollande ao Parlamento.DefesaDurante seu discurso de defesa, o premier afirmou que "nada irá separar o governo conservador francês de seu trabalho". "Diante da aceleração do rumor, continuaremos nosso trabalho com método, calma e perseverança", acrescentou.Combativo, o primeiro-ministro argumentou que os socialistas basearam sua moção de censura sobre "a calúnia, a mentira, o rumor e o ultraje".O argumento da "calúnia" foi o mesmo usado por Villepin para se defender de sua suposta implicação em uma trama entre 2003 e 2004 para prejudicar industriais e políticos, incluindo um dos listados no caso Clearstream.Sobre o presidente da UDF, Francois Bayrou, Villepin advertiu que ele escolheu "um campo que não é seu nem de sua família política ao apoiar a moção".O escândalo também foi um golpe para o presidente Jacte Chirac, o mentor de Villepin, durante o último ano de sua carreira política, que já dura quatro décadas.Sem revelações mais profundas, Villepin pode ganhar um espaço para respirar enquanto os juízes investigam o vazamentos de informações do caso para a imprensa. O ministro prometeu dar continuidade a prioridade de seu governo: diminuir as altas taxas de desemprego da França além de um programa de crescimento econômico, a luta contra crimes sexuais, a batalha contra a imigração ilegal e a igualdade de oportunidades para os pobres.

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