EFE/EPA/ Jim Lo Scalzo
EFE/EPA/ Jim Lo Scalzo

Deputados republicanos invadem depoimento sobre impeachment de Trump

Caos se instala no Capitólio um dia após dois testemunhos vistos como prejudiciais para Trump

Redação, O Estado de S.Paulo

23 de outubro de 2019 | 21h11

WASHINGTON - Deputados republicanos invadiram nesta quarta-feira, 23, um depoimento do processo de impeachment contra o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, provocando o caos no Capitólio e adiando um testemunho crucial em sua tentativa de proteger o chefe de Estado das evidências de má conduta.

Um dia após uma testemunha assegurar que Trump ameaçou suspender a ajuda militar à Ucrânia se o presidente ucraniano, Volodmir Zelenski, não declarasse uma investigação pública contra o candidato democrata Joe Biden e o filho dele Hunter, os republicanos entraram na sala onde os investigadores do impeachment conduzem os interrogatórios privados e se recusaram a sair.

Gritando “Deixem-nos entrar”, duas dúzias de deputados forçaram passagem entre os agentes de segurança e invadiram as salas do Comitê de Inteligência da Câmara. “Este é um processo ao estilo soviético”, disse o deputado republicano Steve Scalise. “Isso não deveria ser permitido nos EUA. Todos os membros do Congresso deveriam poder entrar nesta sala”, declarou.

Frustrados, os democratas suspenderam temporariamente a sessão, que foi retomada à tarde, com o depoimento de Laura K. Cooper, a subsecretária assistente de Defesa para Rússia, Ucrânia e Eurásia.

Do outro lado do Capitólio, senadores republicanos que se resignaram com a ideia de servir como jurados no julgamento de impeachment de Trump, estavam lutando para lidar com as revelações sobre o presidente. “A imagem que tenho, com base nas reportagens que tenho visto, é que as coisas não estão boas”, disse o senador John Thune, de Dakota do Sul. “Mas até que tenhamos um processo que permita a todos ver as coisas com transparência, é difícil tirar conclusões rapidamente”, acrescentou.

Os comentários foram feitos um dia após o senador Mitch McConnell, do Kentucky, líder da maioria republicana, negar a declaração de Trump de que ele lhe teria contado que o telefonema com o presidente ucraniano – que se tornou o foco da investigação – “foi inocente”. McConnell afirmou que não se lembrava dessa conversa.

Também na terça-feira, William B. Taylor Jr., o principal diplomata dos Estados Unidos na Ucrânia, efetivamente confirmou as acusações dos democratas contra Trump: a de que o presidente reteve a ajuda militar à Ucrânia em um esforço de pressionar Zelenski a incriminar o ex-vice-presidente Biden.

Nesta quarta, comunicações e depoimentos obtidos pelo jornal The New York Times revelam que em agosto o governo ucraniano já sabia do congelamento da ajuda militar de US$ 391 milhões, desmentindo as afirmações da Casa Branca de que não houve um “toma lá dá cá” porque Kiev não sabia do congelamento.

Na Casa Branca, Trump usou o Twitter para atacar Taylor e o advogado dele, John Bellinger, e encorajar o protesto dos deputados republicanos. / NYT

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.