REUTERS/Marco Bello
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Deputados suspensos pelo TSJ venezuelano pedem afastamento da Assembleia Nacional

Julio Ygarza, Nirma Guarulla e Romel Guzamana foram eleitos no Estado de Amazonas, mas tiveram a proclamação suspensa preventivamente por suspeita de fraude na votação

O Estado de S. Paulo

13 Janeiro 2016 | 11h42

CARACAS - Os três deputados opositores da Venezuela que foram juramentados pela Assembleia Nacional (AN) apesar da medida cautelar ditada sobre eles pelo Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), o que levou à Assembleia Nacional a incorrer em "desacato", pediram seu afastamento do Parlamento na noite de terça-feira, 12 (madrugada de quarta, 13, em Brasília).

"No dia de hoje (ontem), chegou uma correspondência assinada pelos deputados Julio Ygarza, Nirma Guarulla e Romel Guzamana, expressando que eles pedem sua desincorporação da Câmara para que possam se defender judicialmente", informou em uma entrevista à emissora americana "CNN" o presidente do parlamento venezuelano, Henry Ramos Allup.

A decisão procura evitar que, "com esta manobra, o TSJ torne nula a atividade da Assembleia Nacional", acrescentou o opositor.

Guarulla, Guzamana e Ygarza são os três deputados eleitos no Estado do Amazonas e cuja proclamação foi suspensa pelo TSJ dias antes da posse do novo Legislativo como medida cautelar ao recurso de impugnação interposto pelo chavismo, que alegou fraude na votação nesse Estado.

A junta de direção da AN, controlada pelos opositores, decidiu desobedecer a medida e juramentou os três opositores, o que gerou uma nova sentença do TSJ que ditou o desacato da nova Câmara e a nulidade de todos os seus atos.

Ramos Allup informou que no plenário previsto para esta quarta-feira os legisladores darão conta tanto da carta desses deputados que pedem o afastamento de seus cargos como da sentença que ditou o desacato.

Na sessão, os parlamentares deverão submeter a votação a solicitação de Guarulla, Guzamana e Ygarza que, caso seja aceita, seria concretizada imediatamente, o que poderia livrar o parlamento do desacato.

O chefe da Assembleia Nacional assegurou que o parlamento foi "acossado pelo Executivo e pelo TSJ", este último que, segundo Ramos Allup, está a serviço do governo de Nicolás Maduro.

A fração parlamentar chavista pediu no último dia 7 ao TSJ que declare a nulidade de qualquer decisão tomada pela assembleia enquanto os três deputados do Estado de Amazonas suspensos cautelarmente continuarem na Casa.

Esses três opositores fazem parte dos 112 eleitos no dia 6 de dezembro que deram à oposição venezuelana a maioria qualificada de dois terços do parlamento pela primeira vez desde que Hugo Chávez foi eleito pela primeira vez, em 1998.

O grupo foi reduzido para 109 depois que o chavismo alegou fraude no processo de votação, protestou contra os vencedores e afirmou que apresentará um recurso de impugnação contra vários deputados opositores eleitos. / EFE e AFP

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