Deputados trocam socos na Venezuela

Transmissão de sabatina foi interrompida quando a briga tomou conta da sessão; não ficou claro se opositor ou governista iniciou a violência

REUTERS e AFP, O Estado de S.Paulo

12 de fevereiro de 2011 | 00h00

Uma sessão da Assembleia Nacional da Venezuela terminou em briga, no segundo dia de sabatina dos ministros do presidente Hugo Chávez. Cerca de dez parlamentares governistas e de oposição envolveram-se na pancadaria, que não deixou feridos. As discussões do Parlamento eram transmitidas ao vivo por rádio e televisão. Assim que a violência começou, o sinal foi cortado.

A troca de socos começou quando o presidente da assembleia, Fernando Soto Rojas, cortou o som do microfone em que o opositor Alfredo Ramos discursava, pois o parlamentar havia excedido o tempo de sua fala. Pouco depois, governistas começaram a gritar, ordenando que Ramos deixasse a bancada, enquanto o deputado Alfonso Marquina se aproximou para pedir uma extensão para o discurso do colega. "Ele estava pedindo que abaixassem o volume, porque também temos o direito de fazer nossas intervenções com respeito", disse o parlamentar opositor Miguel Pizarro.

Naquele momento, o deputado chavista Henry Ventura aproximou-se e empurrou Marquina. Não ficou claro quem começou a dar os socos, mas vários golpes e empurrões entre Ventura e Marquina ficaram registrados em vídeo. Apesar de o governo venezuelano ter tirado a transmissão do ar abruptamente no momento, todas as cenas da briga ficaram disponíveis na internet.

A dupla foi então cercada por parlamentares governistas e opositores - e a confusão ampliou-se, entre mais socos e empurra-empurra. A sessão foi retomada em seguida, com um pedido do presidente para que houvesse silêncio.

O chanceler venezuelano, Nicolás Maduro, estava na assembleia durante a briga e, em tom jocoso, pediu "camomila" aos opositores.

Debate. A discussão voltou ao Parlamento venezuelano na gestão iniciada em janeiro. Desde 2005, quando a oposição boicotou as eleições legislativas, o silêncio predominava na Casa.

Ainda que a oposição ocupe 40% das cadeiras e tenha reconquistado uma plataforma para expor suas ideias, a assembleia está neutralizada por Chávez. Desde dezembro, quando recebeu "superpoderes" da Lei Habilitante aprovada pela legislatura anterior, o presidente venezuelano tem respaldo constitucional para governar por decreto por 18 meses.

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