EFE/EPA/Marine Rescue Service
EFE/EPA/Marine Rescue Service

Derramamento de petróleo na Sibéria leva Putin a declarar estado de emergência

Autoridades tentaram conter o vazamento por conta própria e não relataram o incidente aos serviços de emergência por dois dias; comitê de investigação iniciou processo criminal por poluição e suposta negligência

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de junho de 2020 | 12h51

MOSCOU - Um grande derramamento de petróleo na Sibéria levou o presidente russo Vladimir Putin a declarar estado de emergência e repreender publicamente as autoridades locais pelo que ele disse ser uma resposta ruim e lenta.

Um tanque de combustível em uma usina perdeu pressão no dia 29 de maio em Norilsk - acima do Círculo Polar Ártico, no centro-norte da Rússia - ocasionando o vazamento de pelo menos 20 mil toneladas de petróleo, ou mais de 635 mil galões. 

Os funcionários da estação tentaram conter o vazamento por conta própria e não relataram o incidente aos serviços de emergência por dois dias, disse o chefe do Ministério de Situações de Emergência, Evgeny Zinichev, durante uma reunião televisionada nacionalmente quarta-feira, 3, presidida por Putin.        

O governador da região de Krasnoyarsk, Alexander Uss, disse a Putin que tomou conhecimento do derramamento de óleo no domingo depois que "informações alarmantes apareceram nas mídias sociais".

Putin então atacou Sergei Lipin, chefe da subsidiária proprietária da usina, Norilsk-Taimyr Energy Co. "Vamos ficar sabendo sobre situações de emergência nas mídias sociais?", questionou. Putin concordou que um estado de emergência nacional era necessário para obter mais recursos para os esforços de limpeza. 

Lagos e cursos de água a mais de 20 quilômetros do local continham concentrações de produtos petrolíferos em quantidade muito superior ao limite máximo permitido, de acordo com a agência reguladora da Rússia para recursos naturais.

"Vou pedir às agências competentes de monitoramento e aplicação da lei que descubram que tipo de informação foi relatada, onde e qual foi a resposta de todos que deveriam agir de acordo com as instruções", afirmou Putin.

O Comitê de Investigação da Rússia disse que iniciou um processo criminal por poluição e suposta negligência. O diretor da usina, Vyacheslav Starostin, foi preso nesta quinta, 4.    

O Greenpeace da Rússia descreveu o derramamento como o maior da história do Ártico, comparando-o ao derramamento de óleo Exxon Valdez, muito maior, de 1989, em termos de possíveis danos ambientais. A limpeza no Ártico pode custar mais de US$ 86 milhões, estimou o Greenpeace.  / The Washington Post 

 

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