Derrota de Cantor complica negociações com Casa Branca

O presidente dos EUA, Barack Obama, nunca teve grande cooperação dos parlamentares republicanos à sua agenda, mas a derrota do líder da maioria republicana na Câmara, Eric Cantor, nas primárias do partido na terça-feira, diminui ainda mais a esperança da Casa Branca por vitórias legislativas nos próximos dois anos.

STEFÂNIA AKEL, COM INFORMAÇÕES DA DOW JONES NEWSWIRES, Agência Estado

11 de junho de 2014 | 14h48

Cantor, considerado um republicano mais flexível, perdeu para David Brat - favorito do Tea Party - à vaga de candidato a um novo mandato pelo Estado americano de Virginia. A Casa Branca está avaliando de perto essa mudança para buscar entender o que ela significa para os esforços de reforma no restante do mandato.

A reforma da imigração é vista como a principal culpada pela derrota de Cantor. Obama pode até mesmo considerar mais ativamente uma ação executiva sobre a questão.

O maior problema de Obama, porém, é a perspectiva renovada de resistência dos parlamentares republicanos a elementos básicos de governança. Após uma série de disputas desde que Obama assumiu o governo em 2009, democratas e republicanos haviam começado a cooperar em algumas questões, incluindo o Orçamento federal. Cantor, apesar de não ter agido como aliado da Casa Branca, fez parte desse esforço. Sua derrota deixa os parlamentares republicanos menos inclinados a fecharem acordos com Obama.

Até mesmo os republicanos estão preocupados com a volta dos impasses que já levaram a uma paralisação do governo e riscos de default. "Minha preocupação é que muitas coisas vão morrer e ser deixadas pra lá", afirmou o deputado Peter King. "Graças a Deus não há uma votação sobre o teto da dívida nos próximos meses."

Mesmo assim, o analista político Greg Valliere afirmou que pode haver uma disputa "feia" em relação ao teto da dívida no próximo ano. "Esqueça qualquer outro acordo. Uma disputa feia sobre o teto da dívida nos aguarda em março de 2015", disse ele.

Segundo ele, a Câmara está se aproximando ainda mais da direita e o debate sobre o teto da dívida será mais pronunciado se os republicanos reconquistarem o Senado em novembro. Isso daria ao partido o controle de ambas as Casas do Congresso e tornaria insustentável a posição de Obama de não negociar o limite de endividamento.

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