Derrota de ex constrange presidente

Ségolène, que tem 4 filhos com Hollande, queria presidir a Assembleia, mas esbarrou em 1ª dama

O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2012 | 03h00

Apesar da vitória com folga nas urnas, nem tudo foi comemoração para o Partido Socialista. Ségolène Royal, ex-mulher do presidente François Hollande e uma dos "elefantes do PS", como são chamados os caciques da sigla, não conseguiu se reeleger em La Rochelle, na região de Charente-Maritime.

A derrota marca não apenas uma péssima fase política para Ségolène como encerra com final infeliz a curta novela em que ela se viu envolvida após a atual companheira de Hollande, Valérie Trierweiler, demonstrar apoio público ao opositor da socialista nas urnas, Olivier Falorni.

A provocação de Trierweiler ocorreu via twitter, na terça-feira. Diante das pesquisas que indicavam que Ségolène, que tem quatro filhos com Hollande, não conseguiria se reeleger, o presidente decidiu, excepcionalmente, reforçar a candidatura da ex-esposa por meio de uma curta mensagem em um santinho de campanha - mas esqueceu-se de avisar a atual companheira, conhecida como uma mulher ciumenta. Trierweiler reagiu na rede social: desejou "boa sorte" a Falorni, provocando constrangimento no partido e críticas da oposição.

Ontem, após o anúncio dos resultados negativos, Ségolène primeiro mirou no oponente, afirmando que o candidato - um dissidente do Partido Socialista - era um "traidor". Em seguida, comentou que a mensagem da mulher do presidente entre os dois turnos "não ajudou as coisas" a melhorarem para o seu lado.

A realidade é que as coisas não vão bem para a socialista desde 2007, quando concorreu pela sigla à presidência e foi superada por Nicolas Sarkozy, após uma campanha recheada de gafes. Em 2011, ela tentou novamente chegar ao Palácio do Eliseu, porém acabou em quarto lugar nas primárias do partido, atrás do antiglobalização Arnaud Montebourg, da primeira-secretária Martine Aubry e do ex-marido, François Hollande.

Abatida, Ségolène, que pretendia chegar à presidência da Assembleia, reafirmou os planos de permanecer na política e não descartou disputar a direção do PS. "Vou pensar na melhor forma de colocar minha experiência em favor de ideias justas." / L.M.

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