Derrota em Tóquio faz premiê antecipar eleição

Revés eleitoral de domingo, na capital, fortalece partidos da oposição e aumenta crise na aliança que há 50 anos governa o Japão

REUTERS, NYT E AP, O Estadao de S.Paulo

14 de julho de 2009 | 00h00

O primeiro-ministro japonês, Taro Aso, anunciou ontem que antecipará para 30 de agosto a eleição geral prevista para outubro e dissolverá, na próxima semana, a Câmara Baixa, responsável por indicar o próximo premiê japonês.A decisão foi tomada depois que o governista Partido Liberal Democrático (PLD) saiu derrotado na eleição de domingo em Tóquio, perdendo espaço para o rival Partido Democrático do Japão (PDJ).O revés - o mais recente de uma série de cinco derrotas sofridas pelo PLD em eleições locais ao longo deste ano - é visto por políticos e analistas japoneses como o sinal mais evidente da decadência política do partido que governa o Japão há 50 anos. As eleições locais de Tóquio são consideradas uma amostra do que ocorre nas eleições gerais. Na capital, os governistas perderam a maioria na Assembleia Metropolitana, no Conselho Municipal e em grande parte das prefeituras que compõem a província onde está localizada a maior cidade do país. Além da derrota eleitoral, Aso enfrenta divisões internas no PLD e tem sido pressionado pelos baixos índices de aprovação - apenas 20% dos japoneses veem positivamente o seu governo. Os dois antecessores de Aso duraram apenas um ano no cargo. Desde que assumiu o governo, em setembro, o premiê sofre pressões para antecipar as eleições.RENOVAÇÃOA hegemonia do PLD começou meses depois da 2ª Guerra. Exceto por um breve período entre 1993 e 1994 (de 1994 a 1996, o partido integrou a coalizão liderada pelos socialistas), o PLD permanece desde então no poder. A revista britânica The Economist comparou a hegemonia do PLD aos efeitos negativos de um monopólio em uma economia: resultados ineficientes, falta de novas ideias e o surgimento de líderes complacentes com a corrupção.Uma das provas do efeito nocivo do superpoder do PLD está na frustração da maioria dos japoneses com a política. A votação de domingo em Tóquio teve uma abstenção de 55%. O índice foi 10% maior do que a abstenção registrada quatro anos atrás na capital japonesa.Uma pesquisa realizada há uma semana por um dos principais jornais de Tóquio, o Asahi Shinbum, mostrou que 37% dos eleitores votariam hoje no PDJ, de oposição. O governista PLD ficaria com 22% dos votos. A oposição já controla a Câmara Alta do Parlamento e poderia, nas eleições de agosto, assumir também o controle da Câmara Baixa. O quadro é tão desanimador que parlamentares do próprio PLD têm criticado o governo. Ontem, os governistas apresentaram uma moção contra Aso. Embora não tenha grande impacto prático, a votação da moção, marcada para hoje, pode atrasar os debates sobre o orçamento nacional."O resultado da eleição em Tóquio colocou Aso em um beco sem saída: ou ele dissolvia o Parlamento ou renunciava", disse o parlamentar Ichita Yamamoto, do PLD. TRÊS GOVERNOS EM DOIS ANOSShinzo Abe: Tinha apoio de menos da metade dos japoneses quando entregou o cargo, em setembro de 2007. Foi premiê por exatamente um anoYasuo Fukuda: Venceu Aso na disputa interna do PLD para suceder a Abe. Foi premiê por quase um ano e acabou renunciando em setembro, quando tinha apenas 29% de aprovaçãoTaro Aso: Assumiu em setembro com 40% de aprovação. Hoje, só 20% dos japoneses aprovam o governo. Ele anunciou ontem que antecipará as eleições para agosto. Segundo pesquisa, se votação fosse hoje a oposição venceria

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.