Mohamed Messara/Efe
Mohamed Messara/Efe

Derrota mostra limite de zona de exclusão aérea

Forças de Kadafi vencem rebeldes em Ajdabiya e evidenciam que ataques podem não resolver impasse militar

Lourival Sant'Anna, O Estado de S.Paulo

22 de março de 2011 | 00h00

BENGHAZI, LÍBIA

Depois de algumas horas de pausa, para reconhecimento do terreno e avaliação dos resultados, as potências ocidentais retomaram ontem os bombardeios contra alvos em Trípoli e em outras partes do país. No entanto, uma derrota dos rebeldes em Ajdabiya, no fim da tarde, serviu para mostrar que a zona de exclusão aérea pode não ser suficiente para conter as forças militares leais ao ditador Muamar Kadafi em seu esforço de retomar o controle da Líbia.

Dois fotógrafos que estiveram ontem perto da entrada leste de Ajdabiya, situada a 160 quilômetros de Benghazi, relataram ao Estado uma intensa e desigual batalha entre as forças leais a Kadafi e os combatentes rebeldes.

Atacados por uma grande quantidade de disparos de tanques e de foguetes, os rebeldes, armados com peças de artilharia montadas sobre caminhonetes, granadas propelidas por foguetes (RPGs) e fuzis, tiveram de recuar em direção a Benghazi. Assim, as forças de Kadafi mantiveram a cidade de 150 mil habitantes sob seu controle. Os rebeldes disseram que se reagrupariam ontem à noite e atacariam Ajdabiya pelos flancos.

Vítimas civis. Funcionários do governo levaram ontem jornalistas estrangeiros para examinar a área do quartel-general de Kadafi atingida por um míssil Tomahawk na noite de domingo, em Trípoli. De acordo com os jornalistas, o míssil destruiu um edifício de três andares que, aparentemente, tinha funções administrativas.

Segundo Ibrahim Mussa, porta-voz do governo líbio, havia 300 civis no local, que voluntariamente serviriam de escudos humanos, para proteger Kadafi dos bombardeios.

O porta-voz disse que o míssil caiu a 50 metros de distância do grupo, que inclui mulheres e crianças. "Então, o risco de ferir pessoas era real e estamos realmente gratos a Deus, não aos americanos, porque ninguém se machucou hoje", disse Mussa, procurando mostrar que o ataque era uma prova da disposição das potências ocidentais de extrapolar o mandato da ONU e de tentar derrubar o regime.

Benghazi, a "capital rebelde", 1.050 quilômetros a leste de Trípoli, teve um dia mais tranquilo que na véspera. Continuou havendo confrontos entre os milicianos leais a Kadafi e os combatentes opositores.

Líderes oposicionistas informaram ontem, às 15 horas locais (10 horas em Brasília), que, até então, 14 dos milicianos de Kadafi haviam sido mortos em combate e pelo menos 40 teriam sido detidos.

O Estado percorreu ontem o trecho de 30 quilômetros a partir da saída oeste de Benghazi, ao longo da qual se estende o comboio das forças de Kadafi que se dirigia para um ataque à cidade quando foi destruído por mísseis disparados por aviões franceses, em sua primeira missão na Líbia.

O repórter contou 25 tanques, 24 caminhões, 14 caminhonetes, 3 jipes Toyota Land Cruiser, 15 carros comuns e 3 ônibus para transporte de tropas.

Três dos caminhões destruídos tinham montadas nas suas carrocerias baterias de 40 foguetes Grad. Outro também estava carregado de foguetes. Três transportavam tanques e 2, combustível.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.