Derrota partidária aumenta pressão sobre premiê do Japão

O impopular primeiro-ministro japonês Naoto Kan viu aumentar a pressão para que renuncie depois das derrotas que seu partido sofreu em eleições locais no domingo, o que enfraquece seu poder no momento em que ele luta para conter a crise nuclear e encontrar maneiras de financiar a reconstrução pós-terremoto.

SHINICHI SAOSHIRO E LINDA SIEG, REUTERS

25 de abril de 2011 | 09h18

Kan não deve aceitar a saída facilmente, mas o resultado da votação tornará mais difícil obter a cooperação da oposição para decidir como custear a reconstrução após o tremor seguido de tsunami que causaram mais de 300 bilhões de dólares em danos, uma tarefa árdua diante da dívida pública duas vezes maior que a economia de 5 trilhões de dólares.

A cooperação é vital, pois Kan lida com um Parlamento dividido.

"Não acredito que os resultados das eleições levarão a qualquer solução rápida, mas é verdade que os partidos de oposição se sentirão encorajados a obstruir", disse Koichi Nakano, que leciona na Universidade de Sophia.

O Partido Democrático do Japão de Kan perdeu seis de nove disputas municipais que travou com seu principal opositor, o Partido Liberal Democrático, e também ficou para trás em uma série de eleições de assembleias por todo o país, relatou a mídia japonesa.

Um candidato conservador dos liberais-democratas também saiu vitorioso de uma eleição da câmara baixa na cidade de Aichi, ex-bastião do PDJ no centro do país, depois que o partido governista fracassou em apresentar um candidato.

"Os resultados das eleições mostram que (os eleitores) fizeram uma enorme queixa contra o gabinete de Kan pela maneira como lidou com os desastres", disse Sadakazu Tanigaki, presidente do PLD, em uma coletiva de imprensa. "Isto mostra que muitos eleitores estão preocupados com sua capacidade."

Kan desdenhou os pedidos de renúncia. "Não estou pensando em absoluto em abandonar minhas responsabilidades atuais", declarou ele ao comitê de Orçamento da câmara alta.

Enquanto ele discursava, os militares japoneses, auxiliados pelo Exército dos EUA, mobilizavam 24.800 pessoas para procurar corpos nas áreas mais atingidas pelo desastre natural que deixou cerca de 28 mil mortos e desaparecidos.

(Reportagem adicional de Tetsushi Kajimoto)

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