Derrota republicana nos EUA respinga em Tony Blair

A derrota dos republicanos nas eleições legislativas americanas respingou no primeiro-ministro do ReinoUnido, Tony Blair. O premier seguiu cegamente a estratégia americana no Iraque ao ponto de ganhar o apelido de "cachorrinho" de George W. Bush.Por isso, o golpe infligido pelos eleitores americanos à política do presidente, seguido pela saída do secretário da Defesa, Donald Rumsfeld, também representa uma desautorização do premier britânico.A vitória dos democratas, que presidirão os diferentes comitês nas duas Câmaras significa que eles poderão fazer investigações sobre a condução da guerra contra Saddam Hussein, ditador que Washington chegou a ajudar contra os aiatolás iranianos.O mais provável é que o Congresso americano analise agora os motivos - ou, segundo o ponto de vista, os pretextos - para atacar o Iraque, como as armas de destruição em massa de Saddam, cuja existência nunca foi provada, e a falta de preparação para depois da invasão. As críticas também são feitas, do outro lado ao Atlântico, ao Governo Blair.Uma eventual investigação nos Estados Unidos da guerra contra o país árabe promete ser igualmente esclarecedora para os britânicos, que viram parlamentares trabalhistas bloquearem, há poucos dias, uma tentativa dos partidos nacionalistas escocês e galês de lançar uma iniciativa desse tipo na Câmara dos Comuns sobre o conflito e suasConseqüências.Cenário internoMas, como se o novo cenário externo já não bastasse para Blair, o premier tem problemas de peso em casa. O líder trabalhista enfrenta uma possível investigação sobre seu papel na oferta de títulos honoríficos - de lorde - a multimilionários que contribuíram com o chamado Novo Trabalhismo, corrente renovadora de Blair dentro do partido, abertamente cortejados pelo premier e por vários ministros.A Scotland Yard está investigando se os créditos ocultos concedidos por alguns desses empresários, em um total superior a 20 milhões de euros, violaram a legislação vigente desde 1925 no Reino Unido sobre o financiamento dos partidos políticos.Entre os detidos até agora está o principal arrecadador de fundos de Blair, lorde Levy, que se encontra em liberdade pagando fiança, mas a Polícia já entrou em contato com o ministro da Economia e possível futuro primeiro-ministro, Gordon Brown, e com outrosPolíticos.Foi vazada a informação de que vários integrantes do Governo Blair na época das últimas eleições gerais, entre eles o vice-primeiro-ministro, John Prescott, o ex-titular de Exteriores Jack Straw e o coordenador da campanha, Alan Milburn, foram contatados pelos investigadores.A Scotland Yard pediu a esses e outros próximos colaboradores de Blair, como a atual ministra da Saúde e ex-titular de Comércio e Indústria, Patricia Hewitt, e a das Relações com as Comunidades e ex-ministra da Educação, Ruth Kelly, que prestem depoimentooficialmente por escrito sobre o que sabiam acerca desses créditos.O fato de a Polícia não ter contatado até agora diretamente Tony Blair suscitou especulações de que está tentando reunir provas antes de interrogar o primeiro-ministro, não como simples testemunha, mas como suspeito.Segundo o deputado nacionalista escocês Angus MacNeil, "é só questão de tempo para que ele seja interrogado. Cada vez está mais claro que Blair perdeu o controle dos eventos e agora são estes que o controlam".

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