Derrotado, Bush corteja democratas do Senado

Em reunião com os dois principais líderes democratas do Senado nesta sexta-feira, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, manteve sua política de aproximação com a oposição e prometeu trabalhar por uma cooperação bipartidária durante a próxima legislatura. Este é o segundo dia consecutivo em que o presidente tenta aproximar-se dos democratas após a avassaladora vitória da oposição nas eleições legislativas de terça-feira. Bush reuniu-se com o líder da minoria do Senado, Harry Reid, e o senador democrata Dick Durbin durante 45 minutos. Após o encontro, os três prometeram superar a amarga campanha eleitoral e trabalhar em parceria. "A única forma de seguirmos em frente é através do bipartidarismo e da abertura", disse Reid. Durante a aparição conjunta, os três pareciam descontraídos. Durbin chegou a brincar com as gravatas usadas tanto por Bush quanto pelo vice-presidente, Dick Cheney, ambas de coloração azul - a mesma do Partido Democrata. "Eu estava torcendo para vocês perceberem isso", disse Bush. A troca de elogios diante das câmeras, no entanto, pode deteriorar-se rapidamente. Isso porque Bush quer que o Congresso vote medidas de seu interesse antes que a nova legislatura assuma, em janeiro de 2007. Atualmente, tanto o Senado, quanto a Câmara dos Representantes (deputados) são presididas por republicanos. Entre os itens sensíveis aos democratas que Bush quer ver aprovados estão a legalização de seu controverso programa de escutas domésticas sem autorização judicial, que está parado no Senado; e a confirmação do embaixador americano John Bolton como principal representante dos Estados Unidos na ONU - algo com o que a maioria dos democratas não concorda. Para o secretário de Imprensa da Casa Branca, Tony Snow, ambos os itens são cruciais, e os democratas deveriam ver seus méritos. "Eu não acho que você deva ver os projetos como necessariamente provocativos", disse ele. Bolton, que foi indicado ao cargo pelo presidente durante um recesso parlamentar, está no posto temporariamente há mais de um ano. Caso sua indicação não seja confirmada pelo Senado até o final do ano, o diplomata terá que deixar o cargo em janeiro. "A questão é: que reclamação você tem em relação a um homem que é bem sucedido?", questionou Snow. Ainda assim, o porta-voz da Casa Branca deixou em aberto a possibilidade de que Bolton continue na ONU, só que com um outro cargo.

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