Derrotado, Le Pen diz que ´euforia´ democrática ´não durará´

O derrotado líder da ultradireita francesa, Jean-Marie Le Pen, disse que a "euforia" democrática deste domingo, marcada pela alta participação da população nas eleiçõespresidenciais, "não durará muito".Visivelmente decepcionado, Le Pen disse que se equivocou ao focarsua campanha na crítica à situação econômica da França, já que "os franceses aparentemente estão muito felizes e elegeram osrepresentantes dos partidos políticos no poder".Le Pen, de 78 anos, disse que no dia 1º de maio anunciará se apoiará algum dos candidatos que passarem para o segundo turno.O pronunciamento de Le Pen acontecerá na praça da Ópera de Paris,onde tradicionalmente termina a marcha anual de seu partido, aFrente Nacional (FN).Segundo os resultados oficiais, apurados pouco mais de 72% dosvotos, o candidato da ultradireita obteve 11,24% do apoio doeleitorados, muito abaixo dos 19,9% que lhe permitiram eliminar, em 2002, por pouco mais de 200 mil votos de diferença o socialista Lionel Jospin e disputar o segundo turno com Jacques Chirac, que renovou seu mandato com 82% dos votos em 5 de maio daquele ano.No primeiro turno deste domingo, o conservador Nicolas Sarkozy e a socialista Ségolène Royal foram eleitos para disputar o duelo final pelo Palácio do Eliseu no próximo dia 6 de maio, segundo as pesquisas.De acordo com dados divulgados pelo Ministério do Interior francês, com 72,74% das urnas apuradas, Sarkozy tinha 30,45% dos votos, enquanto Ségolène registrava 24,99% da preferência dos eleitores.O centrista François Bayrou, a grande surpresa da campanha, obteve entre 18,33% dos votos.BayrouEm discurso, Bayrou disse neste domingo ter conseguido mais de sete milhões de votos nas eleições presidenciais francesas e que sua intenção é colocá-los a serviço de "uma política nova" e de uma "idéia de mudança".A significativa votação que recebeu neste domingo torna oseu apoio a um dos candidatos que passaram para o segundo turnofundamental para a eleição do novo presidente.O candidato centrista ainda não se pronunciou sobre um eventualapoio a Sarkozy ou a Royal. Mas declarou que porá todas as suas"forças na renovação da política francesa".Além disso, acrescentou que não quer que "ninguém perca aesperança" na mudança política "que está nascendo" hoje."Há, finalmente, um centro na França", afirmou Bayrou, que assinalou que se trata de "um centro amplo, forte e independente, capaz de atuar e falar antes das fronteiras (políticas) de antes", do bipartidarismo.Bayrou advertiu Sarkozy e Ségolène que os sete milhões de eleitores que apoiaram sua candidatura e o consagraram como o "terceiro homem", não querem que "lhes contem histórias ou lhes façam falsas promessas".A esses eleitores, Bayrou, visivelmente feliz, prometeu que não os abandonará "nem um minuto" e que não voltará atrás em sua intenção de renovar a política francesa."Tenho uma boa notícia", começou Bayrou em seu breve discurso: "A partir dessa noite, a política francesa mudou e nunca mais será como antes".

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