Derrotas eleitorais na região estão isolando o coronel

ESPECIAL PARA "O ESTADO"

José Augusto Guilhon de Albuquerque, O Estado de S.Paulo

23 de julho de 2010 | 00h00

É sempre muito difícil prever, quanto ao conteúdo, o próximo passo do coronel Hugo Chávez, mas quanto à forma o mais provável é que seja de recuo. O líder bolivariano tem-se caracterizado por uma alternância entre radicalização e moderação - entre outras coisas porque a realização de seus objetivos grandiosos é simplesmente inviável, num país com uma economia em frangalhos e um grau de dissenso altíssimo, mesmo para países latino-americanos. Reunificar a América não anglo-saxônica sob sua liderança pessoal - ou pelo menos a Nova Granada, reincorporando a Colômbia - derrotar o Ocidente, e particularmente os EUA, implementar o socialismo do século 21, são lemas que servem para ser anunciados ao som das trombetas do Apocalipse. E é só.

Chávez é um mestre em fugir para a frente, adotando alvos cada vez mais inalcançáveis e, depois, avançar para a retaguarda, moderando o tom para não perder a face.

A vitória de Juan Manuel Santos na Colômbia coloca o ditador venezuelano diante de mais uma derrota de grande valor simbólico. Votações não são exatamente uma predileção para o coronel. As venezuelanas estão batendo às portas e não serão um passeio, a julgar pela maneira como ele se apressa em afastar os candidatos de oposição e em prender empresários e jornalistas.

Eleições vêm minguando a plateia de Chávez no continente. O chileno Sebastián Piñera e Santos representam uma derrota inegável do chavismo, o uruguaio José Mujica é demasiado moderado, os Kirchners, na Argentina, estão por um fio e perder o Brasil poderá ser fatal. Sua derrota em Honduras o deixou isolado na antes promissora América Central. O que o mobiliza contra a Colômbia é a sombra do seu crescente isolamento.

É PROFESSOR TITULAR DE RELAÇÕES INTERNACIONAIS DA USP

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