'Derrubar presidente eleito é golpe', diz Dilma

A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, disse hoje que não cabe ao governo brasileiro discutir as circunstâncias nas quais ocorreu a deposição, em 28 de junho, do então presidente, Manuel Zelaya, em Honduras. "Derrubar um presidente legitimamente eleito, isso é um golpe. O golpe não é relativo", afirmou, ao ser questionada sobre o fato de a deposição no país centro-americano ter sido provocada pela intenção de Zelaya de contrariar a Constituição e promover movimento para se reeleger.

GERUSA MARQUES, Agencia Estado

30 de setembro de 2009 | 14h07

"Não vou discutir nem relativizar o golpe. Não cabe ao governo brasileiro fazer isso", afirmou a ministra, depois de participar da 3ª Conferência Nacional de Aquicultura e Pesca. De acordo com ela, o Brasil simplesmente se posicionou em relação a uma situação já dada. "Não podemos ficar discutindo em que circunstâncias ocorreu. Ocorreu um golpe. E esse golpe foi denunciado pelos Estados Unidos, pela ONU (Organização das Nações Unidas), pela OEA (Organização dos Estados Americanos), e nós também denunciamos."

Para Dilma, o governo, liberado por Roberto Micheletti, é golpista, e não interino ou de facto, como vem sendo chamado. "A ONU e os países democráticos têm manifestado repúdio ao governo golpista que está em exercício", disse. Na tentativa de justificar a decisão do governo brasileiro, de receber o presidente deposto e simpatizantes na embaixada do País em Tegucigalpa, a ministra lembrou que há no Brasil pessoas que estão no poder e que já usufruíram de asilo em outros países, principalmente no Chile.

Segundo ela, na época da ditadura militar no Brasil, muitos países abrigavam cerca de 300 pessoas, que dormiam dentro de piscinas. "O processo de um asilo diante de um golpe militar não deve ser controlado pela embaixada dos países aos quais as pessoas recorreram. O processo de asilo é responsabilidade da quebra de liberdade."

"Sou uma defensora do regime democrático, das liberdades civis e dos direitos humanos", disse Dilma, acrescentando que essa é a posição da maioria dos brasileiros. "Somos uma das maiores democracias do mundo e a gente tem que valorizar isso. Temos que valorizar que na América Latina não deve ter mais golpe de Estado. A gente não deve compactuar com isso."

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