Eva Marie Uzcategui/ AFP
Eva Marie Uzcategui/ AFP

Desabamento em Miami tem quatro mortes confirmadas após 24 horas de buscas

Autoridades do condado de Miami-Dade confirmaram que número de pessoas não localizadas subiu de 99 para 159; equipes de resgate continuam na busca por sobreviventes

Redação, O Estado de S.Paulo

25 de junho de 2021 | 10h37
Atualizado 25 de junho de 2021 | 16h31

Passado mais de um dia do desabamento parcial do prédio de 12 andares em Surfside, na região de Miami, quatro mortes foram confirmadas pelas autoridades, enquanto equipes de resgate seguem em um esforço incessante para localizar possíveis sobreviventes do desastre.

Três corpos foram retirados dos escombros durante a madrugada desta sexta-feira, 25, enquanto uma outra morte já havia sido confirmada pelas autoridades na quinta-feira, 24. De acordo com a prefeita do Condado de Miami-Dade, Daniella Levine Cava, o número de pessoas não localizadas também aumentou, de 99 para 159. O anúncio foi feito na manhã desta sexta. Esse grupo de pessoas vem sendo chamado pelas autoridades pelo termo unaccouted for (não contabilizados, em tradução livre), pois ainda não são considerados como desaparecidos.

A agência de notícias EFE informou durante a tarde que três das quatro vítimas já foram identificadas. O único nome conhecido do público até o momento, no entanto, é o de Stacie Fang, de 54 anos, que foi resgatada junto ao filho de 15 anos, que sobreviveu. "Não há palavras para descrever a trágica perda de nossa amada Stacie. Os membros da família Fang-Handler querem expressar nossos mais profundos agradecimentos pela grande quantidade de simpatia, compaixão e apoio que temos recebido", diz um comunicado divulgado por familiares.

O governador da Flórida, Ron DeSantis, cobrou que as causas do edifício sejam apresentadas "sem demora". "Precisamos de uma explicação definitiva de como isso pode ter acontecido", disse, durante entrevista coletiva, nesta sexta-feira. "Creio que é importante que não haja demora (...) para que as famílias e o povo da Flórida tenham respostas."

Na noite de quinta-feira (madrugada de sexta em Brasília), o presidente Joe Biden decretou estado de emergência na Flórida e ordenou assistência federal para complementar as equipes estaduais de resgate. "O presidente autorizou o Departamento de Segurança Interna e a Agência Federal de Gestão de Emergência (Fema) a coordenar todos os esforços de socorro ao desastre com o objetivo de aliviar as adversidades e o sofrimento causados na população local, e fornecer assistência adequada para as medidas de emergência necessárias", diz o comunicado da Casa Branca.

O desabamento ocorreu por volta da 1h30 (hora local, 2h30 em Brasília) da quinta-feira, na parte do condomínio Champlain Towers com vista para o mar. Desde então, uma força-tarefa formada por homens do Corpo de Bombeiros, da polícia e de equipes especializadas em resgates trabalham no local em uma intensa operação na busca por sobreviventes. Cães-farejadores e equipamentos de sonar estão sendo utilizados para tentar localizar qualquer sinal de vida sob os escombros.

Cerca de 35 pessoas foram resgatadas da parte intacta do prédio, e duas foram retiradas dos escombros, segundo o chefe dos Corpo de Bombeiros,  Ray Jadallah.

O condomínio Champlain Towers fica na Collins Avenue, no canto sudeste de Surfside. A edificação foi construída em 1981 e tinha 12 andares e 136 apartamentos - estima-se que 55 deles desmoronaram. Algumas unidades de dois quartos são negociadas atualmente no mercado com preços entre US$ 600 mil e US$ 700 mil, segundo a polícia local (entre R$ 3 milhões e R$ 3,5 milhões na cotação atual).

Equipes de busca tentam localizar sobreviventes com auxílio de cães farejadores e aparelhos de sonar, mas o progresso é lento. "Sempre que ouvimos um som, nos concentramos na área", disse Jadallah. "Pode ser apenas aço se retorcendo, podem ser destroços arrastados pela chuva, mas não especificamente sons de batidas ou sons de uma voz humana."

Pela manhã, expostos a rajadas de vento e atingidos por pancadas de chuva intermitentes, dois guindastes começaram a remover grandes pilhas de escombros, criando um barulho de vidro e metal quebrando enquanto pegavam o material e o jogavam para o lado.

Assim que as máquinas paravam, bombeiros usando máscaras de proteção escalavam o topo da pilha para remover pedaços menores com a mão, na esperança de encontrar locais onde as pessoas pudessem ficar presas. Em um estacionamento do subsolo, outra equipe tentava cortar blocos de concreto do prédio por baixo.

A causa do desabamento ainda não foi apontada pelas autoridades. Em uma entrevista coletiva no final da tarde na quinta-feira, 24, Levine Cava disse que "uma questão de engenharia estrutural" teria ocasionado o colapso do prédio.

Sabe-se que o prédio passava por um processo de revisão e recertificação pelos 40 anos de sua construção. De acordo com um advogado envolvido no projeto, Kenneth S. Direktor, a estrutura estava prestes a passar por grandes reparos. Direktor disse, porém, que não havia nada que sugerisse que o colapso tivesse relação com os problemas identificados na revisão de engenharia.

Um vídeo compartilhado nas redes sociais pelo apresentador americano Andy Slater mostra o momento do desmoronamento.  A parte central do edifício cai primeiro, com uma outra parte, mais próxima do mar, balançando e caindo segundos depois, levantando uma enorme nuvem de poeira e escombros que encobriu a vizinhança.

Muitas pessoas estão reunidas em um centro de informações provisório, montado próximo ao local do desabamento na manhã desta sexta, aguardando pelo resultado de exames de DNA que podem ajudar a identificar as vítimas. "São momentos muito difíceis, e as coisas vão ficar ainda mais difíceis quando os trabalhos avançarem", disse o diretor da polícia de Miami-Dade, Freddy Ramirez./ NYT, AP, REUTERS E AFP

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