Desabastecimento aumenta e empresas japonesas reduzem produção

A Sony cortou a produção de mais cinco fábricas e a Toyota Motor adiou novamente o reinício de suas linhas de montagem japonesas, num momento em que o país afetado por um terremoto catastrófico coloca em xeque o suprimento mundial de peças e produtos.

ISABEL REYNOLDS, REUTERS

22 de março de 2011 | 10h31

As empresas de eletrônicos e de automóveis têm sido as mais afetadas pela tragédia, mas como ilustração de como o problema se expande, a mineradora global Rio Tinto alertou que as interrupções ameaçam seus planos de expansão.

Mais de 10 dias após o sismo de magnitude 9,0 e o tsunami de 10 metros terem atingido o nordeste do Japão, os fabricantes lutam para retomar o ritmo enquanto as indústrias lidam com cortes de energia, infraestrutura comprometida e escassez de peças.

A posição do Japão no suprimento global é de tal importância que empresas que vão da Apple Inc à General Motors Co e Nokia estão sentindo o impacto.

A Toyota, maior montadora de veículos do mundo, disse que todas as 12 fábricas de montagem permanecerão fechadas pelo menos até sábado, e não tem certeza quando irão reabrir. A perda de produção entre 14 e 26 de março será de cerca de 140 mil unidades. A Toyota esperava retomar o trabalho nesta terça-feira.

A gigante de eletrônicos Sony disse que mais cinco de suas fábricas, sobretudo no centro e no sul do Japão, foram atingidas pela escassez de peças resultante do desastre e que irá fechar ou reduzir as entregas até o final do mês.

"Se a escassez de peças e materiais fornecidos a essas fábricas continuar, vamos cogitar medidas necessárias como uma transferência de produção temporária para o exterior", declarou a fabricante do PlayStation em um comunicado nesta terça-feira.

Essas fábricas fazem produtos como câmeras de vídeo e digitais, televisores e microfones, informou a Sony.

Uma sexta fábrica em Chiba, a norte de Tóquio, deveria retomar a produção nesta terça, mas pode ser interrompida pelos recorrentes blecautes que afetam algumas áreas servidas pela Tokyo Electric Power (TEPCO), a operadora da usina nuclear de Fukushima, atingida pelo desastre natural.

Incluindo as duas fábricas só parcialmente reativadas na semana passada, 15 das 25 instalações da Sony foram afetadas. A empresa possui 54 fábricas ao redor do mundo.

A influência japonesa na cadeia mundial de abastecimento de eletrônicos causa especial preocupação. O país produz cerca de um quinto dos chips de computador do mundo e exportou 91,3 trilhões de dólares em peças eletrônicas no ano passado, mostra pesquisa da Mirae Asset Securities.

"Há um número enorme de itens na cadeia alimentar de alta tecnologia que não é feito em nenhum outro lugar a não ser no Japão", disse Sam Perry, diretor de investimento sênior do Pictet Japanese Equity Selection Fund. "Ninguém mais tem a qualidade ou a consistência, e em alguns casos a tecnologia, para fabricá-los."

O Japão domina o fornecimento de LCD e selantes para semicondutores, entre outras áreas, acrescentou Perry.

(Reportagem adicional de Junko Fujita e Nathan Layne em Tóquio e James Regan em Perth)

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