Desabrigados por chuvas já são 120 mil na Venezuela

Chávez suspende aulas para que vítimas das enchentes sejam instaladas em escolas; 34 pessoas morreram

, O Estado de S.Paulo

09 de dezembro de 2010 | 00h00

As fortes chuvas que atingem a Venezuela já deixaram 34 mortos e, segundo o presidente Hugo Chávez, quase 120 mil desabrigados. Ontem, foram suspensas as aulas em todo o país para que as escolas pudessem abrigar famílias que perderam suas casas ou foram desalojadas por questões de segurança.

Além de colégios, hotéis de luxo e até mesmo o Palácio de Miraflores, sede da presidência, abrigam vítimas das enchentes. "Viveremos e venceremos! Invoco a unidade do povo!", declarou Chávez por meio de sua conta no Twitter. O shopping Sambil, de Caracas, expropriado no começo do ano por supostas irregularidades na construção, também foi convertido em abrigo.

As chuvas provocaram inundações em quase todo o país, danificando pontes, estradas e até mesmo rompendo barragens.

Estima-se que a infraestrutura de turismo já abrigue cerca de 1.200 venezuelanos desabrigados. "É a primeira vez que estou em um hotel. Jamais imaginei que entraria em um. Para dizer a verdade, estão nos tratando muito bem", disse Mariella Bandres, mãe de duas crianças que foi instalada em um complexo de luxo da cidade turística de Higuerote. Ela perdeu sua casa no começo da semana.

No fim de semana, Chávez ordenou que o Exército ocupasse "temporariamente" as instalações de hotéis "abandonados". Empresários ficaram assustados com a medida, temendo que o governo aproveite a circunstância para reduzir o grave déficit habitacional venezuelano. "Não nos opomos ao uso dos hotéis (pelas vítimas das enchentes), mas devemos ter regras claras", disse José Alberto Núñez, vice-presidente da Federação Nacional de Hotéis da Venezuela.

O governo brasileiro decidiu ontem enviar nos próximos dias um avião de carga a Caracas com ajuda humanitária - barracas, kits médicos e mantimentos. / REUTERS

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