Desafiando China, Obama se encontrará com dalai-lama

A Casa Branca manteve seus planos para o presidente Barack Obama se encontrar com o dalai-lama, rejeitando a pressão chinesa. Pequim reagiu hoje afirmando que "se opõe resolutamente" à visita do dalai-lama aos Estados Unidos e a qualquer encontro dele com líderes norte-americanos.

AE, Agencia Estado

03 de fevereiro de 2010 | 09h42

"Nós pedimos ao lado dos Estados Unidos que claramente reconheça a alta sensibilidade do tema Tibete e lide com temas relacionados cuidadosa e apropriadamente, para evitar causar mais danos aos laços sino-americanos", afirmou um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, em comunicado.

Dias após desafiar Pequim com o pacote de venda de armas para Taiwan, estimado em US$ 6,4 bilhões, a Casa Branca insistiu ontem que a China lide com os temores sobre direitos humanos no Tibete. "O presidente disse aos líderes da China durante sua viagem no ano passado que ele se encontraria com o dalai-lama, e ele pretende fazê-lo", afirmou um porta-voz da Casa Branca. "O dalai-lama é um líder religioso e cultural respeitado e o presidente se encontrará com ele sob essa perspectiva."

O dalai-lama deve fazer uma viagem de dez dias pelos EUA ainda este mês. Ele estará em Washington entre os dias 17 e 19, antes de realizar discursos em Los Angeles e na Flórida. O líder tibetano retornará à Índia, partindo de Nova York, no dia 25.

Obama buscou melhorar os laços com a crescente potência asiática em temas como a economia global e a Coreia do Norte. O porta-voz da Casa Branca afirmou que o presidente permanece comprometido com "a construção de uma relação positiva, abrangente e cooperativa com a China".

Em outubro, Obama evitou se encontrar com o dalai-lama quando ele visitou Washington. O fato foi alvo de controvérsias na época, mas a Casa Branca argumentou que o líder norte-americano não queria prejudicar os laços com Pequim, antes da visita feita por ele mais tarde naquele mês.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês afirmou que os dois governos discutiram o tema durante a visita de Obama em novembro. Na ocasião, segundo ele, os líderes chineses demonstraram sua "firme oposição em relação a encontro de qualquer líder nacional ou funcionário do governo com o dalai-lama".

Apoio global

O dalai-lama construiu um forte apoio global desde que fugiu do Tibete para o exílio, na China, em 1959. Ele afirma buscar apenas mais direitos para os tibetanos, sem romper com a China. Para Pequim, porém, trata-se de um líder separatista.

Os EUA consideram tanto Taiwan, para onde os nacionalistas derrotados no continente fugiram em 1949, quanto o Tibete, para onde Pequim enviou tropas em 1950, como partes da China. O porta-voz da Casa Branca notou, porém, que os EUA têm preocupações na área de direitos humanos em relação aos tibetanos.

Antes, a China advertiu que o encontro de Obama e do dalai-lama iria "prejudicar seriamente" a relação bilateral. Pequim também já ameaçou retaliar companhias norte-americanas por causa do pacote de venda de armas dos EUA para Taiwan, além de interromper o diálogo na área da segurança com Washington. As informações são da Dow Jones.

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