Desafiantes, iraquianas retomam o volante

As milícias de máscaras pretas desapareceram das ruas de Bagdá e os atentados com carros-bomba caíram para um ou dois por dia. Assim, numa tarde recente, Hadeel Ahmed fez uma coisa que poucas mulheres iraquianas teriam ousado nos últimos anos. Dirigiu um carro. "Incomoda-me ter de depender de meu irmão ou meu pai para me levar a qualquer parte", declarou a estudante de 25 anos, após terminar uma aula de auto-escola. "Quero ser independente." Desde a invasão americana, em 2003, as mulheres iraquianas virtualmente desapareceram de trás dos volantes. Com os tiroteios por toda parte, a força policial em colapso e os semáforos desligados, as ruas transformaram-se num mundo selvagem. Mesmo hoje, pode-se viajar meia hora pela vasta cidade e não ver uma única mulher dirigindo. Mas, com a grande redução da violência neste ano, as mulheres estão se aventurando nas ruas. Elas reivindicam cautelosamente liberdades negadas pelos extremistas islâmicos que as advertiram para parar de dirigir, abandonar a maquiagem e cobrir suas cabeças - ou se arriscar a morrer.

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