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Desafio saudita é abrigar multidão de peregrinos

Segundo professora americana, locais sagrados têm capacidade para comportar apenas uma fração dos muçulmanos que querem realizar o ritual

Jéssica Otoboni, O Estado de S. Paulo

24 Setembro 2015 | 21h08

Os peregrinos que foram pisoteados em Meca participavam do Hajj, o ritual muçulmano de peregrinação. A professora PhD do Departamento de Estudos Religiosos da Universidade de Denver, Andrea Stanton, explica que os muçulmanos creem que a primeira pessoa a fazer a peregrinação foi Abraão, considerado um importante profeta, do qual Maomé é descendente, e modelo a ser seguido.

Segundo Andrea, o ritual consiste em “andar sete vezes ao redor de Caaba (Tawaf) recitando frases que Abraão teria proferido: a peregrinação está a serviço de Deus, há somente um Deus e todo o poder é de Deus”. Além disso, os fiéis devem estar trajando túnicas brancas simples para destacar a igualdade de todos diante de Deus.

Na parte intermediária do Hajj, os muçulmanos comemoram a permanência de Maomé nas planícies de Arafat e “declaram que sua missão de transmitir a mensagem do Islã está completa”. O Hajj termina com o ritual de apedrejamento do diabo e suas três tentações e o Eid al-Adha, “que celebra o ato de Abraão de sacrificar seu filho Ismael como um sinal de obediência a Deus”, diz a especialista.

Andrea explica que o Hajj, um dos cinco pilares do Islã, é uma “obrigação religiosa que os muçulmanos devem cumprir ao menos uma vez na vida”. Estão livres da obrigação as pessoas com problemas de saúde ou com problemas econômicos e logísticos para ir a Meca participar do ritual anual.

“Acredita-se que, antigamente, apenas uma pequena minoria dos muçulmanos tenha conseguido fazer a peregrinação”, diz Andrea. Mas a tecnologia tem contribuído cada vez mais para o Hajj se tornar “um símbolo-chave do Islã”, afirma a especialista. 

Para Andrea, o maior desafio que Meca enfrenta desde a década de 70 é a capacidade para receber tantas pessoas. “O local consegue comportar apenas uma pequena fração dos milhões de muçulmanos que gostariam de participar do ritual.”

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