Desafio uruguaio é tirar mercado do narcotráfico

Aprovada a lei que regula o plantio e o comércio de maconha no Uruguai, começa o desafio de implementar a medida. Ontem, o presidente José Mujica reconheceu que esse processo será difícil, mas que o país tem o dever de tentar alternativas à política antidrogas em vigor na maioria dos países do mundo.

ANÁLISE: Luiz Raatz,

11 de dezembro de 2013 | 23h42

Especialistas em política para as drogas consideram que a chave para o sucesso é conquistar espaço num mercado controlado por criminosos. Para isso, seria necessário oferecer a droga com qualidade e preço suficientemente atrativos para convencer o usuário a deixar de comprar de traficantes. "No fundo, é uma questão puramente de mercado. O maior desafio para a implementação da lei será se o mercado legal vai atrair clientes suficientes para enfraquecer o mercado criminoso", disse ao Estado John Walsh, coordenador da política de drogas do think-tank Wola, especializado em América Latina, com sede em Washington. "Há no entanto boas bases para esperar sucesso do objetivo principal da lei, que é separar o mercado da maconha, que é a droga mais usada no Uruguai, de substâncias mais perigosas, como o crack."

Para Mujica, o risco de não fazer nada era maior. "Teremos dificuldades. Com certeza, mas uma dificuldade maior é enfrentar as mortes provocadas por acertos de contas que temos vinculadas ao narcotráfico", disse o presidente ao diário La República. "Dizem que não conseguimos controlar nem a torcida do Peñarol, quanto mais isso (a maconha), mas vamos tentar."

Na avaliação do especialista do Wola, dificilmente o Uruguai seria punido por violar o tratado da ONU. "No fundo, é uma questão política. Os EUA são os grandes idealizadores da política da ONU, mas mesmo em seu território as coisas estão mudando rapidamente. Fica difícil para Washington pressionar outros países se experiências similares ocorrem aqui a nível estadual", disse Walsh, ao lembrar das experiências de Colorado e Washington, que também legalizaram a maconha.

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