Desafios sociais dominarão discurso anual de Obama diante do Congresso

WASHINGTON - Depois de ver quase todas as suas iniciativas legislativas naufragarem em 2013, o presidente Barack Obama tenta dar nova vida à agenda política da Casa Branca, combatendo a crescente desigualdade de renda e decrescente mobilidade social nos EUA.

Cláudia Trevisan, Correspondente - O Estado de S.Paulo

26 de janeiro de 2014 | 02h02

O tema deverá ser o eixo de seu sexto pronunciamento sobre o Estado da União, o discurso anual no qual presidentes americanos fazem um balanço do ano anterior e definem prioridades. Falando do Congresso na noite de terça-feira, Obama defenderá o aumento do salário mínimo e o pagamento de seguro-desemprego a quem está sem trabalho há mais de seis meses, além de estímulo ao crescimento e ampliação de oportunidades para famílias pobres.

"É bem improvável que o presidente consiga aprovar sua agenda, mas ele pode falar sobre objetivos", disse ao Estado Alan Abramowitz, professor de ciência política da Universidade Emory.

Apesar das dificuldades no horizonte, o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, disse na sexta-feira que o presidente será ambicioso nas prioridades. Segundo ele, a aprovação do Orçamento em dezembro deu "esperança" ao Executivo de que o grau de obstrução de 2013 não se repetirá em 2014.

Ao contrastar os dois períodos, Obama já declarou que este será o "ano da ação", durante o qual promete explorar até o limite o seu poder para implementar decisões em caso de omissão do Congresso. "Tenho uma caneta e um telefone", declarou o líder americano na semana passada, em referência a seu poder de assinar ordens executivas e de mobilizar pessoas.

"Obama compartilha com a população americana a frustração com a obstrução que vimos, a inércia que vimos no Congresso e a ocasional ou quase sempre frequente recusa de trabalhar em conjunto em propostas moderadas e de bom senso para promover os interesses da classe média", disse Carney.

Mas ele reconheceu que há limites ao que o presidente pode fazer com sua caneta. Entre eles, estão a impossibilidade de aumentar o salário mínimo, estender o seguro-desemprego, aprovar a reforma de imigração ou tornar mais rigorosos os controles de armas. Com exceção do benefício aos que estão sem trabalho, todos os itens estavam no Estado da União de 2013 e deverão voltar ao de 2014.

Indicador. Com eleições parlamentares em novembro, o Estado da União deverá reverberar além da relação entre Executivo e Legislativo. "É um discurso de ano eleitoral e o presidente tentará preparar o campo para a disputa, na qual democratas tentarão manter a maioria no Senado e ganhar alguns deputados", observou Abramowitz.

Apesar de presente em pronunciamentos anteriores, a questão da desigualdade ganhou espaço na retórica de Obama em dezembro, quando o presidente fez um discurso dedicado exclusivamente ao tema. "A combinação das tendências de aumento da desigualdade e diminuição da mobilidade traz uma ameaça fundamental ao sonho americano", declarou.

Pesquisas mostram que o aumento do salário mínimo tem apoio de 73% da população, enquanto a extensão do seguro-desemprego é defendida por 63%. Cerca de 1,6 milhão de americanos deixaram de receber o benefício desde 28 de dezembro, quando se esgotou o prazo da lei emergencial que previa pagamentos para quem está sem trabalho há mais de seis meses.

Parte dos republicanos se opõe à extensão do seguro-desemprego e ao aumento do salário mínimo. O partido também é contrário à reforma do sistema de imigração aprovada pelo Senado no ano passado, cuja votação Obama voltará a pedir.

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