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Desaparece advogado de caso sobre os Kirchners

Considerado testemunha essencial, Jorge Chueco sumiu na região da tríplice fronteira

Rodrigo Cavalheiro, Correspondente / Buenos Aires, O Estado de S. Paulo

16 Abril 2016 | 05h00

O desaparecimento de um advogado do empreiteiro Lázaro Báez, preso na investigação que apura corrupção no governo de Cristina Kirchner, causou apreensão na Argentina pelas circunstâncias em que foi denunciado nesta sexta-feira pela família.

Jorge Chueco, de 65 anos, considerado uma testemunha-chave para elucidar as suspeitas de lavagem de dinheiro, deixou uma carta de despedida insinuando que se mataria e US$ 43 mil em um cofre.

 A polícia trabalha com as hipóteses de suicídio, queima de arquivo ou fuga para Brasil ou Paraguai, já que ele foi visto pela última vez em Puerto Iguazú, cidade argentina da tríplice fronteira. Em entrevista à Rádio República, a ex-mulher do advogado, identificada apenas como Patricia, disse acreditar que ele esteja vivo. 

“Tenho a sensação de que ele se distanciou da família para protegê-la. Não entra na minha cabeça outra coisa. Ele não faria um ato dessa natureza, desaparecer ou atentar contra a própria vida. Tem seis filhos”, disse a mãe de três deles, que falou com Chueco na quarta-feira.

Ela afirmou que o ex-marido a orientou naquele dia a ir à cidade da fronteira e abrir o cofre do quarto 123 do hotel onde estava hospedado. Como não foi autorizada, acionou a polícia. 

O juiz Osvaldo Lunge, que comandava a busca por Chueco em Puerto Iguazú, afirmou ao canal TN que só foram encontrados a carta de despedida, na qual o advogado dizia ter feito coisas das quais se arrependia, e os dólares.

Testemunhas viram Chueco pela última vez na tarde de quinta-feira, em um cassino, bêbado. Os investigadores tentavam averiguar se Chueco entrou na zona das Cataratas do Iguaçu para suicidar-se. Como há vários pontos sem controle, ele pode ter usado a carta como artifício para fugir.

Chueco foi denunciado pelo Ministério Público e chamado a depor no mesmo processo de Báez. O advogado intermediou a compra da “Rosadita”, apelido da sede das empresas de Báez – no local, o do empresário, Martín, foi filmado contando pilhas de dinheiro em uma gravação que acelerou a investigação.

O advogado foi mencionado no depoimento do delator Leonardo Fariña, no dia 8, como uma peça importante em um sistema de lavagem de dinheiro que levou o empreiteiro à prisão. Fariña, que ligou diretamente Báez a Cristina, foi solto e entrou para o sistema de proteção a testemunhas. 

Doze horas após o depoimento de Fariña, o promotor Guillermo Marijuan viu indícios de envolvimento de Cristina no esquema de superfaturamento e lavagem de dinheiro. 

Dias depois, Marijuan denunciou ter recebido ameaças e teve sua escolta ampliada. Uma de suas filhas tuitou: “Tenho medo, mas aviso, nem meu pais nem minha família queremos nos suicidar”.

Ela se referia ao caso do promotor Alberto Nisman, encontrado com um tiro na cabeça em janeiro de 2015 quatro dias após fazer uma denúncia contra Cristina e a cúpula kirchnerista. A hipótese de suicídio é contestada pela família.

Báez chegou a ganhar 80% das concessões de obras na Província de Santa Cruz, berço político dos Kirchners. Desde que foi preso, há nove dias, ele se manteve em silêncio e também recebeu vigilância especial na penitenciária.

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