Desaparecimento atinge governistas e opositores

O presidente do México, Enrique Peña Nieto, que tentou mudar a narrativa da violência do narcotráfico para reforma econômica, viu-se onde não queria estar

Joshua Partlow, Washington Post

22 de novembro de 2014 | 02h01

Um governador renunciou. Um prefeito foi preso e um chefe de polícia está foragido. O presidente Enrique Peña Nieto, que tentou mudar a narrativa da violência do narcotráfico para a reforma econômica, viu-se precisamente onde não queria estar. Quando manifestantes ateavam fogo em edifícios públicos e atiravam coquetéis molotov, polícia e soldados permaneceram distantes, aparentemente temendo provocar um recrudescimento da violência. "O governo Peña Nieto está nos dando a impressão de que não há ninguém no leme do navio", disse Gerson Hernández Mecalco, analista político da Universidade Nacional Autônoma do México. "Eles pensam, erroneamente, que o tempo sozinho dará um fim nisso."

O desaparecimento dos 43 jovens de Iguala também tem sido uma pedra no sapato da oposição, particularmente do Partido da Revolução Democrática (PRD), de esquerda. José Luis Abarca, prefeito de Iguala, que ordenou à polícia que reprimisse os estudantes, está preso com sua mulher. O governador do Estado de Guerrero, também filiado ao PRD, renunciou.

Reportagens citando documentos oficiais indicam que 12 prefeitos de Guerrero, oito deles do PRD, são suspeitos de conexões com cartéis. O fundador do partido, Cuauhtemoc Cárdenas, pediu a renúncia do presidente da legenda, dizendo que o PRD está "numa grave situação de prostração e exaustão, como nunca em 25 anos de existência". Em parte, a repercussão do caso deve-se às ligações escancaradas entre governo e crime organizado.

JOSHUA PARTLAW É CORRESPONDENTE DO WASHINGTON POST NO MÉXICO

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