JIM WATSON / AFP
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Desaprovação de Trump aumenta por desconfiança no combate à pandemia, diz pesquisa

Seis em cada dez americanos desaprovam a forma como Trump lida com a crise sanitária que já deixou 138 mil mortos no país, segundo pesquisa do Washington Post e da ABC News

Scott Clement e Dan Balz / The Washington Post, O Estado de S.Paulo

17 de julho de 2020 | 10h32

WASHINGTON - A avaliação dos americanos sobre o tratamento da pandemia do novo coronavírus pelo presidente Donald Trump caem à medida que os casos aumentam em todo o país e o medo de ser infectado continua. No momento, seis em cada dez americanos desaprova a gestão de Trump da crise sanitária. Os dados foram revelados por uma pesquisa do jornal Washington Post e da ABC News no momento em que os EUA registram mais de 3,5 milhões de casos e pouco mais de 138 mil mortes.

A pesquisa mostra que 38% dos americanos aprovam a forma como Trump gere a pandemia - em maio, eram 46% e em março, 51%. Por sua vez, 60% cento desaprovam, contra 53% em maio e 45% em março. Mais da metade das pessoas - 52% - desaprova "fortemente" a forma como Trump lidou com a crise. 

Trump adotou posturas confusas desde o início da pandemia e muitas vezes está em desacordo com cientistas e autoridades de saúde de seu próprio governo. Agora, o presidente que busca a reeleição em novembro enfrenta problemas claros de credibilidade com o público. Mais de seis em cada dez americanos dizem não confiar no que ele diz sobre a crise, incluindo dois em cada três políticos independentes e quase três em cada dez republicanos.

A desconexão de Trump com o público também fica clara em questões como a reabertura da economia e o uso de máscaras. Embora Trump tenha pedido aos Estados que reduzam as restrições de reabertura de negócios em um esforço para impulsionar a economia, os americanos dizem que controlar a propagação do vírus é uma prioridade mais alta.

Uma maioria de 63% diz que é mais importante tentar controlar a propagação do vírus, mesmo que isso prejudique a economia. Essa era a avaliação de 57% dos americanos em maio. A parcela que favorece o controle da disseminação do vírus sobre o reinício da economia aumentou de 41% em maio para 52% na última pesquisa.

Uma maioria de 63% diz que é mais importante tentar controlar a propagação do vírus, mesmo que isso prejudique a economia, contra 57% em maio. A parcela que favorece fortemente o controle da disseminação do vírus sobre o reinício da economia aumentou de 41% em maio para 52% no mesmo período. 

A piora das aprovações de Trump na gestão da crise sanitária ocorre naturalmente entre democratas, mas diminui em alguns grupos essenciais em sua coalizão desde 2016. A avaliação caiu 16 pontos percentuais entre os protestantes evangélicos brancos para 68%. Reduziu 15 pontos entre homens brancos sem diploma universitário, para 56% e caiu 11 pontos entre os moradores das áreas rurais, chegando a 48%. 

A pesquisa mostrou ainda que 66% dos americanos dizem estar muito ou um pouco preocupados com a possibilidade de um membro da família ser infectado, passando de 63% no final de maio e 69% no final de março. Apenas 5% disseram que alguém em sua família imediata já pegou o vírus, contra 2% há dois meses.

As diferenças partidárias nos temores de infecções diminuiu nos últimos dois meses à medida que os surtos passaram de áreas urbanas, predominantemente democratas, para uma faixa mais ampla do país, incluindo áreas republicanas do sul. A parcela de republicanos que está um pouco preocupada aumentou de 44% para 54%, enquanto a preocupação entre os democratas se manteve estável em 79% em maio e chegou a 81%.

Os independentes estão mais próximos dos republicanos - 60% dizem se preocupar consigo ou com um membro da família sendo infectado. Menos de três em cada dez independentes preocupados com a infecção de um membro da família aprovam o tratamento dado por Trump à pandemia. Sua aprovação mais do que dobra entre os independentes que não estão preocupados.

Entre os republicanos, 65% dos que estão preocupados com infecções classificam Trump positivamente pelo tratamento da pandemia, em comparação com 95% dos republicanos menos preocupados com uma infecção. A pesquisa nacional foi realizada entre 12 e 15 de julho com 1.006 adultos americanos. A margem de erro é de 3,5 pontos para mais ou para menos. 

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