Alto Comissariado para a Paz / Efe
Alto Comissariado para a Paz / Efe

Desarmamento das Farc entra na reta final na Colômbia

Deposição das armas é uma realidade e com ele os avanços para consolidar a paz com as Farc e dar aos colombianos muito mais tranquilidade, diz Santos

O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2017 | 13h36
Atualizado 20 de junho de 2017 | 21h13

BOGOTÁ - As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) iniciaram nesta terça-feira, 20, a última fase de seu desarmamento na Colômbia como parte de um acordo de paz com o governo, um passo vital para iniciar sua transição para a vida civil e se tornar um movimento político.

"O desarmamento é uma realidade e com ele os avanços para consolidar a paz com as Farc e dar aos colombianos muito mais tranquilidade", afirmou o presidente Juan Manuel Santos na segunda-feira, ao anunciar que no dia 27  será organizado um ato de conclusão desta etapa.

O grupo rebelde mais antigo do continente deve entregar 40% de suas armas à missão da ONU, responsável pelo processo, nos 26 pontos de concentração de quase 7.000 combatentes. Os outros 60% foram entregues nas últimas duas semanas.

De acordo com Santos, 5.800 guerrilheiros, incluindo os que estão detidos, e milicianos já entregaram suas armas à ONU.

"Já iniciaram o processo de reincorporação à vida civil", disse o presidente colombiano.

Depois da entrega do fuzil, a ONU emite um certificado que permite aos ex-combatentes iniciar a transição para a legalidade e o movimento político, cuja definição acontecerá durante um congresso do grupo rebelde previsto para agosto.

Posteriormente, cada membro das Farc "assina um documento de compromisso com o Comissariado de Paz de não voltar a pegar em armas sob pena de perder os benefícios", recordou Santos.

Parte do processo será acompanhado pelo subsecretário-geral da ONU para Assuntos Políticos, Jeffrey Feltman.

"Sabemos que as partes enfrentaram desafios na implementação do acordo histórico (...), mas superaram as dificuldades e a implementação está avançando", afirmou Feltman, que ficará quatro dias no país.

O acordo de paz entre o governo e as Farc, assinado em novembro, após quatro anos de negociações, tem a ambição de acabar com um conflito armado de mais de meio século, que deixou 260 mil mortos, mais de 60 mil desaparecidos e 7,1 milhões de deslocados.

"Já estamos fechando para sempre este nefasto capítulo que significou para os colombianos esta guerra entre irmãos. Se vislumbra a paz!", escreveu no Twitter o comandante guerrilheiro e negociador do acordo Pablo Catatumbo.

O desarmamento das Farc se aproxima da fase final, depois de um atentado no sábado à tarde que deixou três mortos, incluindo uma cidadã francesa, no centro comercial Andino, na zona norte de Bogotá.

Após o atentado, Santos defendeu o processo de paz e tanto as  Farc como o Exército de Libertação Nacional (ELN), única guerrilha ativa do país, acusaram os inimigos da pacificação pelo ataque. O governo de Santos busca a "paz completa" na Colômbia e, paralelamente, realiza negociações com o ELN desde fevereiro, mas sem um cessar-fogo.

 

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