Desastre do Prestige por ser ainda muito maior

O batiscafo francês Nautile detectou uma grave deformação no casco do barco petroleiro Prestige, em função da pressão a cerca de 3.600 metros de profundidade, o que poderia provocar o rompimento dos tanques com mais de 50 mil toneladas de óleo. A informação é do jornal francês Le Monde. Seria um desastre três vezes maior do que o ocorrido até agora, desde o acidente com a navio, há 25 dias, na costa da Espanha. No fundo do mar, o Nautile notou pequenas frestas na popa do navio, o que poderia ser uma boa notícia, não fosse o perigo de o casco do petroleiro não agüentar a pressão. Nenhuma autoridade espanhola comentou a possibilidade de uma catástrofe ainda maior. O jornal citou especialistas não identificados, que definiram a deformação como "significativa", acrescentando que ela poderia levar a gradativas fissuras nos tanques ainda intactos do Prestige, que, de qualquer forma, não foram construídos para suportar tamanha pressão. A esperança entre os ecologistas ainda é a mesma: de que o óleo não demore a solidificar-se no fundo do mar. O Prestige tinha 77 mil toneladas de óleo quando ocorreu o acidente, mas afundou uma semana depois com 50 mil toneladas depositadas em seus tanques. Parte das primeiras 27 mil toneladas vazadas já chegou às costas espanholas e ameaça também Portugal e a região do país basco francês - ontem, surgiram manchas a apenas 20 quilômetros dessas praias francesas. A França está preparada para enfrentar a maré negra. O governo contratou frotas privadas com embarcações preparadas para desastres desse tipo, equipadas com redes especiais para retirar óleo da superfície do mar. Também tem prontas barreiras flutuantes para proteger o litoral nas regiões de San Juan de Luz e Biarritz. A direção marítima divulgou na noite de sábado que havia perto de cem manchas nas proximidade das costas espanholas - em Santander e Bilbao -, que poderiam ser levadas pelo vento para o litoral francês. Por seu lado, o vice-presidente do governo espanhol, Mariano Rajoy, designado para comandar pessoalmente as providências em torno da tragédia do Prestige, minimiza a possibilidade de um estrago muitas vezes maior. Rajoy sobrevoou a região do naufrágio e explicou que a principal mancha se encontra a 87 quilômetros das Ilhas Ons. Para ele, as pequenas frestas apresentadas na proa do Prestige, notadas pelo Nautile, representam uma boa notícia. "A popa está muito melhor que a proa", disse. Mas setores do próprio governo teriam criticado a atitude tomada logo após o acidente, de levar para alto mar o barco avariado, o que teria precipitado o naufrágio. As autoridades não afastam a hipótese de nos próximos dias uma terceira fase da maré negra invadir suas praias, trazendo ainda mais prejuízos à região pesqueira. Por determinação do governo, já existem 900 quilômetros de costa onde a pesca está proibida. Desde hoje, quase cinco mil soldados espanhóis - do Exército e da Aeronáutica - assumiram o lugar de um grupo de voluntários que trabalhava na limpeza das praias desde o princípio da tragédia.

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