Descarrilamento ao sul de Paris deixa seis mortos

Trem atingiu estação de Bretigny-sur-Orge, a cerca de 40 km de Paris; tragédia ferroviária é a maior no país em 25 anos

ANDREI NETTO, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

13 de julho de 2013 | 02h06

A França viveu ontem sua maior tragédia ferroviária em 25 anos. Um trem, que deixou Paris rumo a Limoges, no centro do país, perdeu o controle e saiu dos trilhos em Bretigny-sur-Orge, atingindo em cheio a estação local. Seis pessoas morreram, dezenas ficaram feridas - 22 em estado grave.

O acidente foi às 17h14 (hora local). O trem partiu da estação de Paris-Austerlitz e se aproximava de Bretigny, cidade situada a 40 quilômetros da capital, sem reduzir a velocidade, porque não faria uma parada no local. Por razões ainda desconhecidas, seis vagões saíram dos trilhos. Imagens aéreas mostram um acidente cinematográfico, com a primeira metade do trem invadindo a plataforma, o prédio da estação e derrubando a estrutura de energia elétrica que alimentava a locomotiva. Uma passarela também foi atingida e desabou.

Instantes após o acidente, os primeiros sobreviventes deixaram os vagões e começaram a ajudar no socorro dos feridos, assim como passageiros que aguardavam para embarcar. Muitos deixaram o trem em estado de choque.

"Vi muitos feridos, mulheres e crianças presas no interior. Um homem tinha o rosto coberto de sangue. As pessoas gritavam", contou Vianey Kalisa, que esperava um trem na estação. "Foram imagens de guerra." Em poucos minutos, o grupo de crises do Ministério do Interior foi acionado, mobilizando mais de 300 bombeiros de toda a região e 20 equipes médicas, além de 8 helicópteros, para atender os passageiros.

Os feridos foram transportados para três hospitais da região, em Essonne, Créteil (região parisiense) e Val-de-Marne, além de hospitais de Paris, onde o tráfego de ambulâncias escoltadas por policiais foi intenso. Na capital, equipes médicas foram mobilizadas para reforçar o atendimento.

No início da noite, as principais autoridades do país visitaram o local da tragédia, entre os quais o presidente da França, François Hollande, e o primeiro-ministro, Jean-Marc Ayrault, que prestaram solidariedade às vítimas. "O 14 de Julho será marcado pelo luto", afirmou o chefe de Estado, referindo-se à festa nacional francesa.

As investigações sobre o acidente começaram ainda ontem. Segundo Guillaume Pépy, presidente do grupo SNCF, empresa pública que administra a rede ferroviária, uma tragédia de proporções ainda maiores foi evitada pelos operadores da rede, que teriam impedido um choque frontal entre dois trens. "O descarrilamento ocorreu a 200 metros da estação", disse Pépy. "Quando há um descarrilamento, ou o problema vem das rodas ou dos trilhos."

Ainda sob o impacto do acidente, um dos principais sindicatos de ferroviários do país, a Federação Sud-Rail, publicou nota criticando "a degradação da segurança do sistema ferroviário" da França, causada pela "lei de mercado" e pelos cortes de gastos na manutenção. A eficiência da rede ferroviária do país, no entanto, é um exemplo na Europa. O último acidente foi em 1988, na Gare de Lyon, em Paris, que deixou 56 mortos.

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