Descentralizar a internet para fugir do ''Grande Irmão''

Na tarde de terça feira, enquanto a secretária de Estado Hillary Clinton falava em Washington sobre a internet, o professor Eben Moglen que ensina direito na Universidade Columbia, estava preparando uma lista de compras para reconstruir a internet - desta vez, sem permitir que governos e grandes empresas acompanhem cada movimento dos nossos dedos.

Jim Dwyer, O Estado de S.Paulo

17 de fevereiro de 2011 | 00h00

A lista começa com "servidores baratos, pequenos e de baixo consumo elétrico", disse Moglen. "Um dispositivo do tamanho de um carregador de celular, funcionando a partir de um chip de baixo consumo de eletricidade." Quase todos poderiam ter um desses minúsculos servidores. Os ingredientes que ainda faltam são os pacotes de software, que são oferecidos gratuitamente, mas precisam de adaptações que facilitem o seu uso. "Agora precisamos voltar nossa engenharia mais diretamente para as finalidades políticas." As redes sociais mudaram o equilíbrio de poder político, disse Moglen. "As redes também são centralizadas demais; são muito vulneráveis à retaliação e ao controle do Estado." Em janeiro, investidores teriam avaliado em cerca de US$ 50 bilhões o Facebook, a rede de relacionamento de Mark Zuckerberg. Se as revoluções pela liberdade repousam nos ombros do Facebook, os revolucionários terão de contar com indivíduos muito comprometidos com aquilo que mantém os poderosos felizes.

"Quando todos estão numa grande base de dados controlada por Zuckerberg, não é difícil decapitar uma revolução enviando a Zuckerberg uma ordem à qual ele não pode se dar o luxo de recusar", disse Moglen. "Devemos tornar as coisas mais fáceis para as pessoas que estão tentando fazer mudanças, e não para as aqueles que tentam nos oprimir", disse Moglen. "Estar conectado funciona." / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL E CELSO M. PACIORNIK

É COLUNISTA DO "NEW YORK TIMES"

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