Desconfiança dos iraquianos com ocupação aumenta, diz CIA

Um novo relatório de inteligência altamente secreto adverte que os iraquianos estão perdendo a confiança nas forças de ocupação lideradas pelos Estados Unidos, levando-os a aumentar seu apoio à resistência, disseram hoje autoridades americanas. Oficiais da CIA recusaram-se a confirmar a existência do relatório, mas a revelação vem à tona em um momento no qual ocorrem encontros de alto nível em Washington sobre a situação no Iraque. Duas altas autoridades dos EUA assinalaram que o relatório pinta um quadro preocupante da situação política e de segurança no país. A escalada da violência e a falta de confiança no Conselho de Governo iraquiano, apontado pelos EUA, estariam levando iraquianos a se aliarem aos insurgentes que combatem as forças de ocupação, revelaram os oficiais, que exigiram anonimato. Questionado sobre a intensificação dos ataques guerrilheiros no Iraque, o senador John McCain afirmou hoje à tevê CBS que "são iniciativas muito inteligentes que as pessoas más estão fazendo. O tempo não está do nosso lado". Como que o relatório é classificado, os oficiais só aceitaram discuti-lo em linhas gerais e desde que não fossem identificados. Sobre o aumento da violência, um oficial destacou que as forças americanas já estão recorrendo a ações mais agressivas no combate aos insurgentes, o que, avaliaram os oficiais, pode indispor mais iraquianos contra a ocupação. Por exemplo, tropas americanas responderam com bombardeios aéreos e disparos de morteiros à derrubada de um helicóptero dos EUA no fim de semana numa clara demonstração de força. Oficiais do Pentágono também temem que o apoio de parceiros da coalizão possa começar a minguar à medida que aumentar o número de baixas entre as tropas internacionais. No campo político, o relatório da CIA adverte que os líderes iraquianos escolhidos pelos EUA parecem não estar à altura da tarefa de governar o país e não conseguem chegar a um acordo sobre a realização de eleições. A existência do relatório da CIA foi noticiada pela primeira vez hoje pelo jornal Philadelphia Inquirer. Segundo o diário, a CIA considerou ser impossível selar as fronteiras iraquianas e evitar a infiltração de combatentes estrangeiros. A agência também teme que a maioria muçulmana xiita possa se unir à minoria sunita numa luta contra a ocupação.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.