Desconfiança marca relação entre Teerã e a agência da ONU

Cenário: Thomas Erdbrink / Jodi Rudoren

SÃO JORNALISTAS DO NEW YORK TIMES, O Estado de S.Paulo

23 Maio 2012 | 03h03

Hussein Shariatmadari, importante assessor do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, afirmou no domingo que o objetivo da repentina viagem do chefe da Agência Internacional de Energia Atômica, Yukiya Amano, era o de frustrar as negociações do Irã, cancelando um encontro estratégico que ocorreria em Viena na segunda-feira. Os negociadores iranianos deveriam receber documentos esperados por muito tempo, que sugerem que o país tinha testado gatilhos nucleares em suas instalações em Parchin. As autoridades iranianas afirmavam precisar dos documentos para se prepararem para a reunião de hoje com representantes das potências mundiais.

"Esta é a 'prova' que o Ocidente sempre usa contra nós, mas tem medo de nos mostrar", escreveu Shariatmadari, editor-chefe do jornal estatal Kayhan. "Agora eles podem nos pressionar com essas acusações durante as conversações em Bagdá."

Mas, apesar da desconfiança mútua que cerca a relação, para outras autoridades iranianas a visita de Amano foi útil.

"Visitar Teerã pela primeira vez ajuda Amano a ter uma impressão mais realista de nossas atividades nucleares", declarou Hamid Reza Taraghi, analista político próximo dos líderes mais influentes do país.

Em Israel, diante da possibilidade de avanço das negociações, o premiê Binyamin Netanyahu reafirmou sua posição mais beligerante. "Os objetivos do Irã são claros: quer destruir Israel e está desenvolvendo armas nucleares para chegar a esse objetivo", afirmou, acrescentando que as grandes potências "precisam manter demandas claras e inequívocas ao Irã; o país tem de suspender todo o enriquecimento de material nuclear, retirar do seu território todo o material enriquecido até agora e desmantelar sua usina nuclear subterrânea em Qom".

As observações do premiê israelense foram feitas no dia em que o Haaretz, jornal de esquerda de Israel, publicou um artigo sugerindo que o governo "pode ser mais flexível sobre o enriquecimento de urânio em baixo nível". O artigo fez referência a uma declaração escrita do ministro da Defesa israelense, Ehud Barak, no sentido de que um enriquecimento de até 3,5% seria aceitável, acrescentando que Barak transmitiu sua opinião às autoridades americanas. Netanyahu negou a informação e disse que a posição de Israel "não mudou e não vai mudar".

Na manhã de segunda-feira, o vice-premiê de Israel, Joshe Yaalon, afirmou que se a comunidade internacional autorizar o Irã a manter um programa nuclear para fins civis, este país terá sacrificado, com sucesso, "um peão no jogo de xadrez para proteger o rei".

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