Desconfiança segue, mas estradas são liberadas

A oposição boliviana deu os primeiros sinais de que está comprometida a encontrar uma solução para o embate que trava há mais de uma semana com o governo. "Vamos levantar hoje (ontem) os oito bloqueios nas estradas", disse o presidente do Comitê Pró-Santa Cruz, Blanco Marinkovic, em entrevista coletiva a jornalistas estrangeiros. "Esperamos que o governo nacional dê um sinal de que está disposto a parar com a violência", disse o opositor, acrescentando que pediu que o governo central levantasse o estado de sítio imposto na sexta-feira a Pando. Os bloqueios nas rodovias e o fechamento de passagens de fronteiras com o Brasil afetaram o abastecimento de alimentos e combustíveis em várias cidades do Departamento de Santa Cruz, considerado o centro econômico boliviano. Marinkovic disse que os outros três departamentos opositores - Beni, Tarija e Pando - também retiraram os bloqueios. Segundo Marinkovic, as instituições tomadas pelos opositores em Santa Cruz já haviam sido entregues para o governo departamental. O presidente da Assembléia Departamental de Santa Cruz, Juan Carlos Parada, afirmou que uma lei foi sancionada para transferir a responsabilidade dessas instituições para o governo local. Segundo ele, alguns prédios terão o controle dividido com La Paz. PRIMEIRAS LIBERAÇÕESAlgumas horas depois do anúncio de Marinkovic, manifestantes na localidade de Portachuelo, a 70 quilômetros de Santa Cruz, deram início à liberação da estrada que liga a cidade a Cochabamba. Crianças e idosos ajudavam a levantar pedaços de pau e colchões usados para fazer vigília no local. Montes de terra, porém, ainda estavam na rodovia."O bloqueio prejudicou nossa economia, mas foi um sacrifício que tivemos de fazer", disse ao Estado a dirigente local Maria Luiza Paredes. O presidente do comitê cívico de Portachuelo, Jorge Mendez, lamentou que os bloqueios tenham afetado o comércio com o Brasil, mas disse que, caso o diálogo não resultar em nenhum progresso, "outras medidas serão tomadas".

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