Mariana Bazo/Reuters
Mariana Bazo/Reuters

'Descontentamento no partido acirra cisão entre filhos Fujimori’

Nos primeiros 17 meses do mandato de Kuczynski, o Fuerza Popular, sob liderança de Keiko, lançou uma ofensiva contra o presidente, destituindo ministros e ameaçando tirá-lo do cargo graças à folgada maioria de 71 deputados que possui no Congresso

Entrevista com

Francisco Belaunde, analista político peruano

Luiz Raatz, O Estado de S.Paulo

27 Dezembro 2017 | 05h00

O partido Fuerza Popular conseguiu um de seus principais objetivos políticos, a libertação de Alberto Fujimori, às custas de uma crescente divisão interna entre os dois herdeiros do ex-presidente: a filha mais velha, Keiko, candidata derrotada duas vezes à presidência, e o mais novo, Kenji, o deputado que, segundo fontes do partido, articulou junto ao presidente Pedro Pablo Kuczynski a libertação de seu pai. 

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Nos primeiros 17 meses do mandato de Kuczynski, o Fuerza Popular, sob liderança de Keiko, lançou uma ofensiva contra o presidente, destituindo ministros e ameaçando tirá-lo do cargo graças à folgada maioria de 71 deputados que possui no Congresso. 

Para o analista político peruano Francisco Belaunde, no entanto, essa hegemonia está agora sob ameaça. Com a libertação de Fujimori, Kenji, com a bênção do pai, deve cada vez mais desafiar Keiko, impedindo o fujimorismo de consolidar-se diante de um rival mais fraco. A seguir, trechos da entrevista. 

Até que ponto uma aproximação entre Kuczynski e o fujimorismo é possível?

É preciso analisar qual é a relação de forças dentro do fujimorismo, qual será o papel de Alberto Fujimori fora da prisão e até que ponto seus problemas de saúde serão um limitador para sua ação política. Não se sabe se ele conseguirá impor uma moderação a Keiko.

Com Fujimori solto e Kenji ‘rebelde’, Keiko conseguirá manter a liderança do partido?

Keiko perdeu liderança nesta crise. Muitos deputados decidiram ir contra ela na votação da destituição. Além disso, há um descontentamento na bancada que não envolve apenas os deputados que seguiram Kenji e se abstiveram na semana passada. Essa é a grande incógnita: quantos desses deputados estão suficientemente descontentes com ela. Mas o fato é que, sim, ela perdeu capital político. 

Kenji agora se torna um protagonista forte? 

Há um confronto entre Kenji e a irmã, que tem um pouco a ver com o pai, porque Kenji tem agido muito em função do que seu pai quer e quais são os objetivos de Alberto. Ele (Kenji) tem um papel mais importante no fujimorismo justamente pelo respaldo do pai. Ele ganha com isso, evidentemente. 

Como fica a esquerda, que no Peru sempre foi um aglutinador das forças antifujimoristas, mas na votação da destituição se dividiu?

A esquerda se dividiu entre a Frente Ampla, que se uniu ao fujimorismo pela destituição, e o Novo Peru, que apoiou Kuczynski. Muitos dizem que se a esquerda tivesse votado unida na semana passada, Kuczynski não teria de ter negociado o indulto a Fujimori para escapar da destituição. Agora vão tratar de se posicionar por meio das manifestações de rua contra Kuczynski. 

 

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