Descontentamento se espalha pela Tunísia 7 meses após revolução

Pesquisa indica que 61% da opinião pública está "insatisfeita" com a situação da segurança no país

Efe

06 Setembro 2011 | 12h53

TÚNIS - Mais da metade da população tunisiana julga a situação do país "incompreensível" e está descontente com a situação econômica e social sete meses depois da revolução, enquanto cresce a "insatisfação" com a gestão do governo, segundo uma pesquisa realizada no final de agosto.

 

Elaborada pelo Instituto de Pesquisa e Tratamento de Informação Estatística (Istie) e divulgada pela agência tunisiana de notícias "TAP", a pesquisa indica que 50,9% da população acha a situação geral "incompreensível", 61% está "descontente" no plano econômico e social, enquanto 61% da opinião pública está "insatisfeita" com a situação da segurança no país.

 

Além disso, o estudo aponta que a porcentagem de satisfação com a gestão do governo provisório caiu 10 pontos e ficou em 21%, contra os 31% obtidos em uma pesquisa do mês de abril.

 

"O balanço é catastrófico e é acompanhado por um aumento das dificuldades da vida e do desemprego juvenil, por isso foi instaurada uma crise de confiança. As pessoas não acreditam mais nas mensagens do governo, nem nos partidos políticos", afirmou à Agência Efe o professor de sociologia Mehdi Mabrouk.

 

Mabrouk, membro do Fórum Tunisiano de Ciências Sociais e promotor da pesquisa, explicou que "o descontentamento geral dos tunisianos se explica porque depois da revolução de janeiro, a precariedade econômica e o desemprego que a alimentou continuam dividindo a sociedade".

 

O sindicalista independente Malek Ezzahi afirmou que "a população das regiões do sul e do interior não vê nenhuma melhoria em suas vidas e os jovens continuam desesperados". Desta forma, segundo ele, não se pode descartar que em qualquer momento explodam novos distúrbios sociais antes das eleições para a Assembleia Constituinte, marcadas para 23 de outubro.

 

No plano político, a pesquisa reflete que, a menos de dois meses das primeiras eleições após a revolução, a percepção dos partidos políticos é "globalmente ruim", visto que 56,9% dos entrevistados afirmam "não apreciar nenhum dos partidos políticos", e apenas 7% estão "satisfeitos" com as conquistas dos mesmos.

 

Para Mabrouk, "o grande número de partidos e sua péssima ou inexistente política de comunicação, assim como o retorno de pessoas envolvidas com o antigo regime do presidente Zine El Abidine Ben Ali" pioram a situação atual.

 

"Há focos de resistência de gente de Ben Ali que recuperaram visibilidade e se impõem na cena política à base de muito dinheiro, provocando uma confusão na cena e semeando dúvidas sobre a credibilidade dos partidos políticos", avaliou o sociólogo.

 

Além disso, outros fatores como "a ausência de espaços públicos abertos que permitam descobrir-se ou dialogar para desenvolver a confiança" e "o surgimento de conflitos tribais e regionalistas", constatam para o professor "a fraqueza de um Estado que parece mais frágil do que nunca".

 

Para Mabrouk, uma das medidas mais urgentes seria erradicar a corrupção que segundo ele prevalece nos ministérios de Interior e de Justiça para "instaurar as bases de uma Justiça transitória e empreender uma drástica reforma democrática no Ministério do Interior"

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