Lam Yik Fei / The New York Times
Lam Yik Fei / The New York Times

Descontente, governadora de Hong Kong segue no cargo por pressão da China

Se mantiver Lam, Pequim corre risco dos protestos se agravarem; se removê-la, pode sofrer derrota estratégica

Redação, O Estado de S.Paulo

03 de setembro de 2019 | 15h59

PEQUIM - A China enfrenta um dilema sobre Hong Kong. Enfraquecida após meses de protestos de ativistas pró-democracia, a governadora Carrie Lam pretende deixar o cargo, mas tem sido pressionada a continuar pelo governo chinês. Se mantiver Lam, Pequim corre o risco dos protestos se agravarem. Se removê-la, pode dar aos manifestantes uma vitória estratégica.

Nos bastidores, assessores do governo autônomo de Hong Kong tem dito que Lam, representante da burocracia britânica no território, não pretende seguir no comando da ilha. À imprensa, ela disse estar “emocionalmente abalada”, mas sem intenções de renunciar. 

“Ela está muito frustrada, mas também muito resoluta. Sabe que tem um trabalho a fazer, recomendado por Pequim, e pretende cumprilo”, disse Ronny Tong, um assessor de Lam. 

Observadores da crise em Hong Kong ligados à China acreditam numa reforma do gabinete assim que os protestos diminuirem. “Com as coisas mais calmas, pode haver mudanças”, disse Lau Siu-kai, da Associação Chinesa de Estudos sobre Macau e Hong Kong. “Mas por enquanto Pequim vê qualquer mudança como sinal de fraqueza, além de um incentivo a novos protestos.”

Os protestos em Hong Kong começaram pacíficos e evoluíram nas últimas semanas para confrontos violentos com a polícia. Eles contestam uma lei de extradição de moradores de Hong Kong para a China, onde o sistema judiciário é menos transparente que o do ex-território britânico.

Uma das demandas dos manifestantes é a renúncia de Lam, que se tornou um alvo dos protestos. Numa gravação vazada para jornalistas na semana passada, Lam diz que pretendia deixar o cargo. 

A China, no entanto, é o principal obstáculo para que isso ocorra. Cabe a Pequim definir quais os candidatos nas eleições locais, e o Partido Comunista Chinês costuma vetar algumas candidaturas de candidatos pró-democracia.

Desde que Hong Kong saiu do controle britânico para o chinês em 1997, o controle do território tem sido alternado entre dois partidos: um mais ligado à burocracia britânica e outro à China continental. Lam pertence ao primeiro.

Em consequência disso, a facção pró-China tende a adotar uma linha mais dura contra protestos. A discussão, dizem fontes do governo autônomo, não é simples. Desde a devolução, todos os governadores do território enfrentaram problemas políticos. 

Pequim tem bancado Lam e expressado publicamente seu apoio. O favorito para ser o próximo governador, no entanto, deve ser Paul Chan, o responsável pelas finanças da ilha. / NYT

 

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