REUTERS/Jorge Silva
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Descontrole cambial afeta até o famoso ‘Índice Big Mac’

Publicado pela primeira vez pela revista The Economist em 1986, a ideia é usar o preço em dólar do sanduíche padronizado internacionalmente como panorama

Roberto Lameirinhas ENVIADO ESPECIAL / CARACAS, O Estado de S. Paulo

25 de agosto de 2015 | 02h00

As intervenções do governo de Nicolás Maduro para tentar controlar o câmbio na Venezuela conseguiram complicar um dos mais famosos indicadores econômicos já criados para estabelecer a relação entre divisas nacionais e o dólar: o “Índice Big Mac”. 

Publicado pela primeira vez pela revista The Economist em 1986, a ideia é usar o preço em dólar do sanduíche padronizado internacionalmente como panorama, algo que os economistas chamam de paridade do poder de compra.

O Big Mac hoje custa na lanchonete do Centro Comercial El Recreo, centro-leste de Caracas, 300 bolívares. Para o fantasioso tipo de câmbio que segue sendo a cotação oficial para a compra de alimentos e medicamentos, de 6,3 bolívares por dólar, o produto passa a ser, de longe, o mais caro do mundo, US$ 47,6. 

Por outro lado, se for levado em conta o câmbio paralelo, em torno de 100 vezes maior que o oficial, o sanduíche se torna o mais barato do planeta, menos de US$ 0,50. Excetuando a Venezuela, o Big Mac mais caro está na Noruega e o mais barato, na Índia.

Para tentar reduzir a confusão, a revista britânica passou a usar outra cotação reconhecida pelo governo de Maduro para estabelecer o preço do Big Mac em dólar: o Simadi, utilizado por viajantes e pelo setor de turismo, que flutua em torno dos 200 bolívares por dólar.

Mas essa não é a única distorção que compromete o índice. A questão é que, na Venezuela, o Big Mac não é o mesmo produto cuja receita é cantada nos comerciais da lanchonete que o produz em praticamente todos os demais países do mundo. O hambúrguer tem muito menos que os 100 g de carne que deveria ter, o pão é menor e o queijo derretido quase não aparece.

O gerente da loja disse ao Estado que esse era o Big Mac padrão da Venezuela desde sempre e afirmou que o sanduíche maior, mais parecido com o comercializado internacionalmente, é o chamado “cuarto de libra”. 

Outro produto da lanchonete que destoa da versão padrão é a batata frita. Em Caracas, ela é mais clara, menos macia e mais fibrosa. O encarregado da loja apresenta aos clientes que se queixam das fritas um comunicado da empresa Arcos Dorados, que administra a franquia, no qual ela se desculpa pela falta do produto usado em outros países.

Em janeiro, a falta de batatas fritas importadas já havia levado os restaurantes da rede a substituir o produto por mandioca frita e “arepitas”, versões em miniatura da arepa, um dos quitutes mais consumidos da culinária venezuelana. Na ocasião, a Arcos Dorados atribuiu o problema a uma greve de portuários nos EUA.

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