Noemi CASSANELLI / AFP
Noemi CASSANELLI / AFP

Descriminalização da homossexualidade estimula mercado milionário na Índia

Agência de marketing diz que ao menos 55 milhões de adultos LGBT vivem no país, com renda estimada em US$ 113 milhões por ano; em média, casais gays têm maior poder aquisitivo do que os casais heterossexuais

O Estado de S.Paulo

12 Setembro 2018 | 16h05

MUMBAI - De discotecas gays ao turismo especializado, especialistas projetam que a recente descriminalização da homossexualidade na Índia fomentará uma das "economias rosas" mais importantes do mundo, com potencial de dezenas de milhões de dólares.

A comunidade LGBT do país celebrou com grande entusiasmo a decisão, na semana passada, da Suprema Corte que invalidou um artigo do Código Penal que proibia as relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo.

Especialistas do setor estimam que esta decisão histórica beneficiará a terceira maior economia da Ásia - e o segundo país mais populoso do planeta - com o surgimento de um novo mercado destinado a este setor da população, apesar de a homossexualidade ainda ser um tabu na sociedade indiana.

"Se a Índia conseguir fazer a comunidade gay do país gastar, podem ser gerados centenas de milhões de dólares para a economia do país", disse Keshav Suri, gerente de hotel, ativista gay e um dos que fez o pedido que levou o caso até a Suprema Corte.

Ao menos 55 milhões de adultos LGBT vivem na Índia, com renda nominal de cerca de US$ 113 milhões de dólares por ano, segundo dados da agência de marketing Out Now Consulting, que ajuda empresas a se comunicarem com consumidores gays.

"O valor da economia rosa, assim como os aspectos sociais da comunidade LGBT, são agora muito importantes para serem ignorados", completou Keshav Suri.

Em média, os casais homossexuais têm maior poder aquisitivo já que tendem a ter menos filhos e salários mais altos do que os casais heterossexuais.

O mercado indiano "representa um dos maiores mercados LGBT do mundo", afirmou Ian Johnson, fundador da Out Now Consulting. Ele diz que as marcas de bebida e as agências de turismo serão as primeiras a criarem peças, produtos e experiências para este público no país.

Bares, discotecas e cafés pró-LGTB também devem ser abertos em pouco tempo sem medo de perseguição jurídica.

Legalidade, liberdade e oportunidades

Nakshatra Bagwe é empresário em Mumbai e, em outubro de 2016, fundou a agência The BackPack Travels para atender turistas homossexuais. Apesar de a empresa já ser lucrativa, com a recente descriminalização Bagwe prevê que seu negócio crescerá ainda mais.

"Com a legalização e a liberdade do nosso lado, as empresas vão investir na comunidade de haverá um aumento nas oportunidades nos próximos anos", disse o empresário.

Inder Vhatwar, outro empresário da capital econômica da Índia, aproveitará a oportunidade para abrir uma empresa voltara para o público LGBT. 

Em 2009, quando as relações homossexuais foram brevemente descriminalizadas pela Suprema Corte de Délhi, Vhatwar abriu uma loja de roupas brilhantes e chamativas no bairro Bandra, muito elegante e popular entre as estrelas de Bollywood.

Em 2013, no entanto, a probição foi restabelecida e Vhatwar teve o contrato de locação rescindido pelo proprietário do imóvel. "(A proibição) me causou muitos problemas e tive que fechar a loja. Depois dessa nova decisão, no entanto, planejo abrir minha loja novamente."

As atitudes homofóbicas e a discriminação no trabalho custariam à economia indiana entre 0,1% e 1,7% do seu PIB, segundo uma pesquisa do Banco Mundial de 2014.

De acordo com Parmesh Shahani, responsável pelo setor cultural do conglomerado indiano Godrej, "a comunidade LGTB é claramente um mercado inexplorado. O potencial de negócios é enorme e tenderá a crescer." / AFP

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