Desde janeiro, forças americanas agem no Iraque

Os homens que começam as guerras dos Estados Unidos já estão no Iraque há 50 dias, infiltrados pelas fronteiras norte, sul e oeste. As equipes das Forças Especiais chegaram ao país no início de janeiro, quando ainda havia gelo nas montanhas onde desceram, voando rápido em seus pára-quedas especiais de tecido preto.São poucos, talvez não mais de 250 homens, preparando a operação que ainda não tem um nome, mas tem três objetivos: destruir os arsenais de armas estratégicas de Saddam Hussein, derrubar o regime e instalar um governo de ocupação.Na Guerra do Golfo esses guerreiros secretos apressaram o fim da luta. No último dia antes do cessar-fogo, 27 de fevereiro de 1991, 12 homens destruíram 26 mísseis Scud C com ogivas de 450 quilos que Saddam Hussein pretendia lançar de uma só vez contra Israel. Seis deles estariam armados com ogivas químicas.O ataque maciço seria destruidor e levaria governo de Yitzhak Shamir à retaliação pesada. Outros países árabes reagiriam rompendo a aliança liderada pelos EUA e multiplicando o conflito. "Foi uma operação crítica. Morreram três líderes de times dos Boinas Verdes. Um deles, Eloy Olivera Rodriguez Junior, era neto de brasileiros" conta Andrew ?Andy? M., um ex-integrante das Forças Especiais que trabalha no Brasil, a serviço da Petrobras.O trabalho atual dos grupos americanos, apoiados pelos equivalentes britânicos do Esquadrão Areia do Special Air Service (SAS) já chegou, ao menos em parte, ao noticiário dos jornais.Nas últimas duas semanas três grandes centrais C3 (de comando, controle e comunicações) das forças do Comando Militar Norte foram atacadas pela aviação dos EUA, em Kirkuk, e britânica, em Mosul.Isoladas sob toneladas de concreto e empregando uma sofisticada rede de fibras óticas na troca de informações, as centrais só puderam ser bombardeadas com mísseis de precisão a partir de uma ação em terra para a designação dos alvos."Foram os nossos rapazes, apontando com o dedo para o endereço dos bandidos, pode ter certeza disso", afirma Andrew M.Andy deixou o Exército em 1993 como oficial condecorado. Foi contratado por uma multinacional da indústria do petróleo. Atualmente ele trabalha no Brasil, na exploração da bacia de Campos. "Militares, petróleo e fabricantes de armas andam juntos pelo mundo", acredita o militar da reserva.Para Andrew M., os soldados encarregados das ações preliminares do conflito como sabotagem, eliminação de lideranças inimigas, resgate em zonas de combate e missões militares especiais podem ser decisivos mesmo antes que a primeira bomba seja lançada.Na opinião do militar, "a defesa antiaérea iraquiana é poderosa, tem 3 mil estações de artilharia e mais de mil de mísseis terra-ar, tudo isso modernizado ao longo dos últimos cinco anos. Só as Forças Especiais podem neutralizar previamente as centrais de coordenação. Fazemos o que tem de ser feito."

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