Desembarque clandestino de haitianos gera polêmica

As autoridades federais americanas iniciaram uma investigação penal sobre o caso dos mais de 200 imigrantes haitianos que chegaram na terça-feira à Flórida, para determinar quem são os responsáveis pelo tráfico de seres humanos. O episódio do desembarque do grupo em Key Biscayne, perto de Miami, foi uma das mais marcantes chegadas de imigrantes ilegais por via marítima nos últimos anos nos EUA. Grande parte dos imigrantes foi detida pela polícia e reunida em um centro de detenção de Miami, à espera de que seu destino seja decidido. Mas, a cinco dias apenas das eleições, o fato se transformou de imediato em caso político. Entidades haitianas em Miami pediram a liberação dos imigrantes. O governador da Flórida, Jeb Bush - irmão do presidente George W. Bush - realizou uma escala eleitoral já prevista em Little Haiti (Miami), onde encontrou uma atmosfera fervilhante. "Falei com Washington - disse o governador Bush -, estas pessoas terão um julgamento justo e sua situação será avaliada com atenção". Mas da multidão se ergueram vários gritos: "Governador, chame seu irmão por telefone, e que ele nos libere". A maioria dos clandestinos parece destinada a ser enviada de volta para o Haiti, se não demonstrar ter direito a asilo político. Mas sua expulsão ameaça desencadear fortes reações e fazer ressurgirem as acusações de "favoritismo" dos EUA para com os cubanos, para os quais é concedido asilo automático quando conseguem chegar a terra firme na Flórida. Desde 1991, quando um golpe de Estado no Haiti provocou a partida de milhares de pessoas rumo aos EUA, 67.000 haitianos já foram devolvidos ao país.

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