US Senate TV via REUTERS
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Desempenho de advogados de defesa em primeiro dia de julgamento irrita Trump

Com argumentações confusas e elogio aos promotores, Bruce Castor e David Schoen frustraram expectativas do ex-presidente americano

Maggie Haberman, The New York Times, O Estado de S.Paulo

09 de fevereiro de 2021 | 23h29

PALM BEACH, EUA - No primeiro dia de seu segundo julgamento de impeachment, nesta terça-feira, 9, o ex-presidente Donald Trump esteve quase totalmente escondido em Mar-a-Lago, seu clube privado em Palm Beach, Flórida.

Trump teria reuniões agendadas para coincidir com a apresentação de sua equipe de defesa e mantê-lo ocupado. Mas o republicano conseguiu assistir à defesa de seus dois advogados, Bruce Castor e David Schoen, na televisão - e não gostou do que viu, disseram duas fontes informadas sobre a situação.

Castor, o primeiro a falar, fez uma defesa incoerente, quase sonâmbula, do ex-presidente por quase uma hora. Trump, que costuma deixar a televisão ligada em segundo plano mesmo quando está em reuniões, ficou furioso, disseram pessoas a par de sua reação.

Em uma escala de 1 a 10, com 10 sendo o mais furioso, Trump “estava em 8”, disse uma dessas pessoas.

E embora tivesse esperanças de que seu outro advogado, Schoen, tivesse um desempenho mais forte, Trump terminou o dia frustrado e irado, afirmaram as fontes.

Ao contrário de seu primeiro julgamento de impeachment no Senado, há pouco mais de um ano, desta vez Trump não tem feed do Twitter para fazer o que acredita fazer melhor do que ninguém - defender-se - e disparar ameaças de retaliação sobre as cabeças de senadores republicanos.

Assim, o ex-presidente foi forçado a confiar em um método tradicional de defesa - advogados na Câmara do Senado e aliados divulgando seus planos para defendê-lo contra a acusação de “incitamento à insurreição” por seu papel no motim do dia 6 de janeiro.

Na preparação para o julgamento desta semana, os aliados e conselheiros de Trump disseram que ele parecia estar enfrentando seu segundo impeachment mais ou menos com calma, preocupado com seu jogo de golfe e seus negócios difíceis, e tentando ignorar o que estava acontecendo em Washington.

Mas o fato de ele ter lutado para manter uma equipe completa de advogados para o julgamento foi uma fonte de preocupação para alguns de seus assessores. Nenhum dos advogados do primeiro julgamento de impeachment que defenderam Trump voltou para o segundo turno. E a maioria da equipe que ele contratou inicialmente se separou abruptamente dele dias antes do início do julgamento.

Vários dos conselheiros e associados do ex-presidente desaprovaram o desempenho de Castor, um ex-promotor da Pensilvânia, que apresentou uma defesa sinuosa depois que os democratas da Câmara apresentaram seu caso de impeachment usando vídeos gráficos da invasão do Capitólio.

Um conselheiro de Trump, falando em segundo plano enquanto o advogado fazia sua defesa, insistiu que Castor sempre planejou tentar reduzir a temperatura na Câmara porque o ex-presidente e seus assessores anteciparam uma argumentação emocionada dos democratas.

Mas Castor minou isso declarando no início que ele e Schoen haviam mudado sua ordem de apresentação porque o caso dos democratas tinha sido muito bom.

O fato de um de seus próprios advogados elogiar os promotores surpreendeu e enfureceu Trump, disseram pessoas familiarizadas com sua reação. E outros aliados de Trump disseram em particular que alguns membros da equipe jurídica pareceram surpresos com os clipes da rebelião que os democratas mostraram, embora eles tivessem sinalizado por dias que esse era o seu plano.

Schoen apresentou um argumento mais contundente, com o tipo de intensidade que Trump prefere. Schoen, que mora em Atlanta, argumentou que o julgamento em si foi inconstitucional porque o ex-presidente não está mais no cargo e que o esforço procurou minar os direitos garantidos a Trump pela Primeira Emenda.

A falta de uma defesa da acusação central do caso de impeachment - e a dificuldade de Castor em articular um ponto claro - não escapou aos republicanos do Senado.

O senador Bill Cassidy castigou os advogados de defesa de Trump ao explicar por que ele votou "sim" na questão de se o Senado tem jurisdição no caso, embora Trump esteja fora do cargo.

Questionado sobre por que acreditava que eles se saíram mal, Cassidy respondeu aos repórteres: "Vocês ouviram?"

“Foi desorganizado, aleatório - eles falaram sobre muitas coisas, mas não falaram sobre o problema em questão”, completou.

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