Federico Parra/AFP
Federico Parra/AFP

Desemprego irá a 44,3% na Venezuela, diz FMI; inflação prevista é de 10.000.000%

Em 2020, metade da população economicamente deverá estar desocupada, nível equivalente ao da Bósnia em 1996, após a guerra

Redação, O Estado de S.Paulo

09 de abril de 2019 | 19h44

WASHINGTON - A taxa de desemprego na Venezuela aproxima-se de níveis inéditos no mundo desde a Guerra da Bósnia, indicou nesta terça-feira, 9, o Fundo Monetário Internacional (FMI). O desemprego deve chegar a 44,3% da população economicamente ativa este ano e perto de 50% em 2020 – a mesma taxa registrada na Bósnia em 1996, após três anos e meio de guerra. Ao mesmo tempo, a previsão é de que a inflação no país chegue a 10.000.000% em 2019.

O FMI divulgou dados macroeconômicos da Venezuela, que havia anos o governo do presidente Nicolás Maduro vinha retendo e foram enviados ao fundo após meses de pressão e ameaças de suspensão da entidade. 

De acordo com o FMI, a depressão econômica venezuelana já é uma das maiores para um país em tempos de paz. Só o encolhimento do PIB é o maior do mundo desde o da Líbia, em 2014. Naquela ocasião, o país magrebino recuperava-se do levante que levou à queda do líder Muamar Kadafi. 

A previsão do FMI é que em 2019 a economia venezuelana perderá 1/4 de seu tamanho. Segundo os técnicos do fundo, a depressão é tão grande que afetará não apenas a projeção de crescimento para a América Latina este ano, mas também a de países emergentes como um todo. 

O cotidiano da economia real na Venezuela tem sido afetado também pelos frequentes apagões e racionamento de energia. Na terça-feira, 9, a maioria das lojas nos bairros comerciais de Sabana Grande e Las Mercedes, em Caracas, estavam fechados ou vazios. O salário mínimo de 18 mil bolívares (US$ 5,50) é insuficiente para comprar um lanche em uma rede de fast food. A taxa de desemprego medida pela consultoria privada Econométrica em março é de 42%.

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Protestos foram convocados pela oposição e receberam apoio dos Estados Unidos.

O governo venezuelano removeu oito toneladas de ouro na semana passada dos cofres do Banco Central e deve vendê-las no exterior para conseguir dinheiro em meio às sanções dos EUA, disseram um deputado e uma fonte do governo.

Sanções americanas influenciam crise na Venezuela

Com as sanções do governo americano afetando as receitas de exportação da estatal petrolífera PDVSA, o governo cada vez mais isolado do presidente Nicolás Maduro está recorrendo às substanciais reservas de ouro, que se tornaram a única fonte de moeda estrangeira.

A fonte do governo disse que foram retiradas 30 toneladas de ouro do Banco Central desde o começo do ano. Antes de o presidente americano, Donald Trump, endurecer as sanções os cofres tinham cerca de 100 toneladas, que valiam mais de US$ 4 bilhões.

Nesse ritmo, as reservas de ouro do Banco Central podem desaparecer até o fim do ano, em meio à luta do governo para pagar os produtos básicos importados. O Banco Central e o Ministério de Informações não quiseram comentar a notícia.

Os deputados de oposição criticam as companhias que vêm comprando o ouro venezuelano ou o têm aceitado como pagamento, dizendo que elas estão dando a Maduro uma sobrevida financeira em meio a uma crise econômica e humanitária.

O líder opositor Juan Guaidó vem tentando congelar as contas da Venezuela no exterior e o estoque de ouro, que inclui 31 toneladas no Banco Central da Inglaterra, estimadas em US$ 1,3 bilhão. Em janeiro, os EUA pediram aos compradores de ouro no exterior que parassem de negociar com o governo venezuelano. / AFP e REUTERS

 

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