Desemprego supera 25% e causa êxodo espanhol

A política de austeridade implementada pela Espanha leva o país a registrar pela primeira vez em sua história democrática mais de 25% de desemprego e vê mais de 800 mil pessoas deixando o país ante a falta de perspectivas. A constatação de que a economia estaria sendo sufocada eleva a pressão para que a Espanha recorra a um resgate internacional, enquanto analistas não excluem nem mesmo a explosão de conflitos sociais no país.

AE, Agência Estado

27 de outubro de 2012 | 07h37

A economia espanhola viveu ontem mais um dia terrível. Além da taxa de desemprego, o Bankia apresentou o maior prejuízo da história financeira do país, com 7 bilhões até setembro. E o FMI apelou a Madri para que liquide o mais rápido possível os seus bancos "inviáveis".

Mas é mesmo o aspecto social que ganha contornos dramáticos. Maior espelho da crise dos países ricos, a Espanha constata que seu modelo econômico fracassou e criou uma "geração perdida". Para analistas, a sangria na destruição de empregos deve continuar em 2013, já que várias medidas de cortes de gastos só entram em vigor em janeiro. Até 2014, o governo de Mariano Rajoy precisa cortar 60 bilhões.

Em cinco anos de crise, 4 milhões de pessoas perderam seus empregos. O número de desempregados chega a 5,7 milhões, o mais alto desde o retorno da democracia e equivalente a 25,02% da população - 52% dos jovens não encontram trabalho. Em 16 províncias, a taxa supera 30%. Em Ceuta, 41% não têm emprego. Para colunistas do jornal El País, a taxa só é equivalente a países que acabam de passar por grandes traumas ou conflitos.

Passado o verão, período que o turismo gera certa atividade econômica, o clima é de tensão. Entre julho e setembro, 85 mil novos empregos foram destruídos. Em um ano, 835 mil vagas foram abolidas e sindicatos alertam que a tendência continuará. Mas a pior marca da crise é a constatação de que, em 1,7 milhão de domicílios, nenhum dos moradores tem emprego e a renda de famílias inteiras desabou.

Uma consequência desse cenário é a migração de trabalhadores. Em um ano e dez meses, quase 800 mil pessoas deixaram a Espanha. Por dia, o êxodo seria de 200 pessoas. Pela primeira vez, o número de espanhóis inscritos em cursos de alemão superou aqueles que aprendem inglês, num sinal da busca de esperança na maior economia da Europa, que tem uma taxa de desemprego de apenas 6%.

Para Chris Beauchamp, da IG em Londres, a previsão de recessão ainda mais profunda em 2013 abre a possibilidade de "um cenário de distúrbios sociais". O governo estima que a economia sofrerá contração de 0,5% em 2013, depois de cair 1,5% neste ano. Mas o mercado aponta que a queda poderia chegar a 1,5%. "Isso poderá elevar a taxa de desemprego a 26% em 2013", alerta Silvio Peruzzo, da Nomura. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Tudo o que sabemos sobre:
desempregoEspanhaêxodo

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.