Desentendimento entre rivais amplia crise política

Além dos recentes atentados, a crise política iraquiana também se acentuou às vésperas do encerramento das operações das forças de combate americanas no Iraque.

Gustavo Chacra CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

18 de agosto de 2010 | 00h00

As negociações para a formação de um novo governo entraram em colapso no início da semana e não há perspectiva para a definição de quem assumirá o poder mais de cinco meses depois das eleições parlamentares no Iraque.

De um lado, está o premiê Nouri al-Maliki, que ainda ocupa o cargo de primeiro-ministro interinamente. Sua coalizão, majoritariamente xiita, mas não religiosa, denominada Estado da Lei, perdeu por poucos votos a eleição de março. O ex-premiê Ayad Allawi, no comando de uma aliança secular de xiitas e sunitas (Iraqiya), foi o vencedor.

O problema é que Allawi não conseguiu juntar o número de parlamentares suficiente para conseguir formar um governo. Maliki também enfrenta a mesma dificuldade. Os dois iniciaram negociações, patrocinadas pelos Estados Unidos, para tentar chegar a um acordo.

Na segunda-feira, o diálogo foi interrompido depois de Maliki chamar a coalizão de Allawi de "grupo sunita" - o ex-premiê é xiita e apenas aliado de facções sunitas seculares. Segundo Allawi, o objetivo de Maliki é transformar a crise política em uma disputa sectária.

Os árabes sunitas, assim como uma minoria cristã, lideravam a o regime de Saddam Hussein que, apesar de ser secular, reprimia duramente os xiitas e também os curdos (que são majoritariamente sunitas).

Com a queda do ex-ditador, os xiitas, majoritários no Iraque, foram favorecidos e tomaram o controle do poder. Maliki até mesmo se aproximou do Irã, apesar de discordar do caráter religioso do regime de Teerã - xiita - e de ser aliado dos Estados Unidos.

Votos de cada coalizão

24,7% Iraqiya, de Allawi

24,2% Estado de Direito, de Maliki

18,2% Aliança Nacional Iraquiana

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