Deserções e avanço rebelde fazem Assad alertar tropas de que Alepo é 'crucial'

O ditador sírio, Bashar Assad, pediu ontem a suas tropas que vençam "a batalha crucial" contra forças rebeldes em Alepo, a segunda maior cidade da Síria. Foram as primeiras declarações públicas do líder sírio desde o atentado que matou quatro membros da cúpula militar de seu regime no mês passado. Pressionado pela resistência rebelde em Alepo e o aumento de deserções, Assad falou pela primeira vez que o futuro do país está em jogo.

DAMASCO, O Estado de S.Paulo

02 de agosto de 2012 | 03h04

"A batalha contra o inimigo tem múltiplas faces e determinará o destino do nosso povo e da nação", disse Assad, segundo a agência oficial Sana. "Será uma batalha crucial e heroica."

O presidente acusou países árabes e ocidentais de explorar os rebeldes para desestabilizar a Síria e drenar os recursos do país. "Querem impedir nossa sociedade de chegar ao nível dos países desenvolvidos", declarou Assad. "Vocês escreveram a maior história de bravura ao enfrentar os terroristas."

As afirmações de Assad foram divulgadas pela agência estatal Sana em razão do aniversário de 67 anos da fundação do Exército sírio. Não foram publicadas, no entanto, imagens do discurso, o que levantou questões sobre o atual paradeiro do ditador.

Rebeldes disputam com o Exército regular o controle do bairro de Salahedine, estratégico para o domínio de Alepo, e obtiveram alguns avanços recentes, com a conquista de prédios públicos e quartéis de polícia. Em meio aos combates, crescem também as deserções nas forças do regime. Segundo o governo turco, 28 generais do Exército regular já atravessaram a fronteira dos dois países.

Para analistas, o discurso do ditador sírio indica um reconhecimento do alto risco político envolvido na batalha por Alepo e uma tentativa de exaltar o Exército e conter as deserções.

Ontem, a Sana publicou uma carta da chancelaria síria às Nações Unidas na qual acusa Turquia, Catar e Arábia Saudita de fomentar a revolta e enviar armas aos rebeldes.

Confrontos. A ONU reportou ontem um agravamento da violência em Alepo, há 12 dias palco choques entre rebeldes e tropas do regime. "Ontem, pela primeira vez, nossos observadores testemunharam ataques aéreos na cidade", disse a porta-voz da missão da ONU, Sausan Ghosheh.

Ainda de acordo com os observadores das Nações Unidas, os rebeldes têm tido acesso a armas pesadas e a tanques de combate. A cidade sofre com falta de gás, combustível e comida.

O foco do conflito na Síria mudou de Damasco para Alepo no fim de julho após uma dura ofensiva de Assad. Ainda assim, continuam os combates nos arredores da capital. Ontem, houve um tiroteio de meia hora no bairro cristão de Bab Touma.

Cada vez mais distante de Assad, a Turquia posicionou ontem mais tanques na fronteira com a Síria. O governo prometeu atacar rebeldes curdos que se aproveitem da crise para buscar refúgio. Damasco diz que isso é um pretexto para uma intervenção.

O Irã, aliado de Assad na região, afirmou que não permitirá um avanço inimigo na Síria, mas "ainda" não vê a necessidade de intervir. / AP, REUTERS e NYT

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