Desertor das Farc levou Exército até cativeiro para resgate de reféns

Serviço de inteligência do Exército usou informação de rebelde preso em março; missão executada no domingo foi a mais bem-sucedida desde o resgate de Ingrid Betancourt, quando Juan Manuel Santos, atual candidato de Uribe, era ministro da Defesa

Reuters, Efe e Ap, O Estado de S.Paulo

15 de junho de 2010 | 00h00

BOGOTÁ

A Operação Camaleão, do Exército colombiano, que resgatou quatro militares das mãos das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), começou em 12 de março, após a prisão do guerrilheiro Marcos Parrilla. "Ele decidiu se desmobilizar e nos deu a localização exata de onde estavam os sequestrados", disse ontem o general Freddy Padilla, comandante-geral das Forças Militares.

Uma equipe de inteligência do Exército passou a seguir todos os passos dos guerrilheiros na selva. Há 20 dias, a cúpula militar recrutou os 300 soldados que participariam da missão e, na quinta-feira, os homens receberam o aval do presidente Álvaro Uribe. Segundo Padilla, o domingo foi o dia escolhido por ser quando os guerrilheiros estão "mais relaxados", cuidando de assuntos logísticos, como a lavagem de roupa.

"Somos o Exército, viemos para resgatá-los", gritaram os soldados assim que o acampamento foi invadido. Entre os militares capturados estava o general Luis Mendieta, oficial de mais alta patente mantido refém pela guerrilha. Os outros dois foram o coronel Enrique Murillo e o sargento Arbey Delgado. Ontem, Padilla confirmou que mais um militar, o tenente-coronel da polícia William Donato, também havia sido encontrado no meio da selva. Eles estavam havia 12 anos em poder das Farc.

Os resgates ocorreram em uma área rural no município de Calamar, no Departamento (Estado) de Guaviare, no sudeste da Colômbia. Murillo e Delgado permaneceram acorrentados por um bom tempo, já que os militares que participaram da libertação não tinham ferramentas para romper as correntes.

Os quatro chegaram ontem em Bogotá, onde encontraram os parentes. O general Mendieta, que foi resgatado no dia de seu aniversário, recebeu cumprimentos da tropa e um BlackBerry de presente. Ele agradeceu aos militares, a Uribe e aos meios de comunicação.

"Deus lhes pague", disse o general, com bastante dificuldade por causa de uma inflação na garganta. As Farc ainda mantêm 17 policiais e militares em cativeiro e pressionam o governo a trocá-los por guerrilheiros presos.

Realizada a uma semana do segundo turno das eleições presidenciais, a operação contra as Farc está sendo considerada a mais bem-sucedida desde julho de 2008, quando foram resgatados a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt, 3 americanos e 11 militares. Na ocasião, Juan Manuel Santos, candidato governista à sucessão do presidente Uribe, estava à frente do Ministério da Defesa. Santos é favorito para vencer a disputa contra Antanas Mockus, do Partido Verde. /

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