Desertor denuncia abusos de forças de Assad

Um ex-integrante das forças leais ao presidente sírio, Bashar Assad, afirmou ontem, em reportagem publicada pelo New York Times, que desertou do Exército por ter recebido ordens para cometer diversas atrocidades contra manifestantes pacíficos.

ANCARA, O Estado de S.Paulo

02 de fevereiro de 2012 | 03h03

Ammar Cheick Omar, de 29 anos, disse que na primeira vez em que foi obrigado a disparar contra sírios desarmados apontou seu fuzil AK-47 justamente acima de suas cabeças, rezou para que Deus não permitisse que ele se tornasse um assassino, e apertou o gatilho.

Omar nasceu e cresceu na Alemanha, mas emigrou para a Síria, nação de origem de seus pais, em 2004. Sua intenção era estudar Direito, melhorar seu árabe e casar. Em 2010, depois de realizar os sonhos e ter uma filha, ele foi convocado para o Exército, semanas antes do início da Primavera Árabe.

Omar afirmou que sua primeira missão foi em Deraa, onde sua unidade, integrada por 350 homens, foi orientada a conter as manifestações atirando contra estudantes que haviam pichado slogans antigoverno. "Foi muito brutal, você não tem alternativa a não ser disparar. Nunca me esquecerei dos corpos de homens jovens e velhos, e também de mulheres e crianças nas ruas."

Conflito. Ontem, ativistas sírios denunciaram intensos tiroteios e bombardeios das forças leais a Assad em montanhas a noroeste de Damasco. A ação do Exército sírio ocorreu um dia depois de as tropas do governo terem retomado subúrbios no leste da capital.

Segundo os militantes antirregime, mais 30 pessoas foram mortas ontem. / NYT e AP

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