Desertor do governo de Assad quer unidade da oposição

O mais importante desertor da Síria se apresentou como a pessoa que pode unir a fragmentada oposição do país. O brigadeiro general Manaf Tlass, comandante da poderosa Guarda Republicana e filho de um ex-ministro da Defesa que era o temente de maior confiança do pai do presidente, desertou no início de julho e foi para Paris. Atualmente, ele está na Arábia Saudita, país que fornece importante apoio financeiro aos rebeldes, onde declarou ao jornal Al-Sharq Al-Awsat que não vê futuro para a Síria com seu ex-amigo no comando.

AE, Agência Estado

26 de julho de 2012 | 14h56

"Eu vou tentar e ajudar da melhor maneira que eu puder para unir todas as pessoas honradas, dentro e fora da Síria, para montarmos um roteiro que nos tire desta crise, haja ou não um papel para mim", disse ele, explicando que está na Arábia Saudita para avaliar que tipo de assistência o país pode dar para ajudar a criar uma nova Síria.

Nas três semanas desde sua deserção, ele falou em público apenas duas vezes, ambas para a mídia saudita.

Tlass, que já foi um confidente próximo do presidente, disse que o regime tem muitas pessoas boas sem sangue nas mãos e que as instituições do país devem ser preservadas.

Ele afirmou ter tentado persuadir Assad a não ouvir seu círculo interno de conselheiros de segurança, que recomendaram a adoção de uma dura repressão contra o levante, que começou com protestos pacíficos em março de 2011, mas se transformou numa guerra civil.

Ele disse que desertou quando se deu conta que o regime não poderia ser dissuadido de sua determinação de esmagar a oposição. "Às vezes você aconselha um amigo várias vezes, mas quando descobre que não está dando resultado, decide se distanciar", disse ele.

Não está claro, porém, se Tlass seria uma liderança aceita pela oposição ou pelos rebeldes que estão lutando, e morrendo, em território sírio, especialmente por causa da proximidade da sua família com o regime. Durante décadas, Tlass foi ministro da Defesa de Hafez Assad, pai do atual presidente, e manteve o posto nos primeiros anos da presidência de Bashar Assad, após a morte de seu pai.

"Aqueles que desertaram recentemente do regime não devem fazer parte da liderança no período de transição", afirmou Mahmoud Othman, integrante do Conselho Nacional Sírio, que mora em Istambul, dizendo também que o povo sírio está pagando um preço muito alto em sangue para substituir Assad por alguém tão próximo a ele. As informações são da Associated Press.

Tudo o que sabemos sobre:
SíriadesertorTlassoposição

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.