Remy de la Mauviniere/AP
Remy de la Mauviniere/AP

Desertores apoiam coalizão anti-Assad em encontro em Paris

Ausência de Rússia e China na conferência dos Amigos do Povo Sírio dificulta solução de conflito

estadão.com.br,

06 de julho de 2012 | 10h35

PARIS - A deserção do general sírio Manaf Mustafa, amigo pessoal do presidente Bashar al-Assad, deu um enorme impulso aos opositores do regime, enquanto países ocidentais e árabes os encontram em Paris, nesta sexta-feira, 6, na tentativa de encontrar soluções para o fim da guerra civil da Síria.

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Em algumas das mais fortes declarações dos Estados Unidos na conferência de Paris, a secretária de Estado, Hillary Clinton, disse que a Rússia e a China devem "pagar um preço" por vetar as sanções da ONU que podem Assad a deixar o cargo - demonstrando uma crise que ainda divide o Conselho de Segurança aos moldes da Guerra Fria.

Enquanto Hillary se pronunciava, Manaf Tlas, comandante de brigada da Guarda Republicana que freqüentou a faculdade militar com Assad e fugiu para a Turquia na quinta-feira, estava a caminho de Paris, onde o pai dele vive.

Uma fonte da oposição disse que Tlas não tinha planos de participar da reunião. Apesar disso, a deserção do general é um sinal claro que algumas pessoas muito próximas a Assad acreditam que os dias no poder do ditador estão contados, enquanto manifestações que começaram em março de 2011 se transformaram em uma guerra civil.

O presidente da França, François Hollande, ressaltou que a manutenção da violência na Síria "não salvará" o regime de Bashar al-Assad e encorajou a comunidade internacional a impor sanções mais duras contra o governo. Hollande lembrou da importância de aplicar de maneira efetiva no plano de transição apresentado na semana passado pelo mediador da ONU, Kofi Annan.

 

Soluções

Embora representantes de cerca de 100 países estejam reunidos na terceira conferência ministerial dos Amigos do Povo Sírio, a ausência da Rússia e da China deixa ainda mais distante o fim da violência que já matou cerca de 14 mil pessoas no país."O que cada nação pode fazer ou grupo representado aqui pode fazer?", perguntou Hillary, no encontro. "Eu peço que vocês conversem com a Rússia e a China, não apenas argumentando, mas também exigindo que eles saiam de cima do muro e comecem a apoiar as aspirações legítimas do povo sírio."

Frustrada pelas dificuldades da diplomacia internacional, a fragmentada oposição síria quer a realização de ações militares. "Estamos cansados de reuniões e prazos. Queremos ação", disse o ativista Osama Kayal, na cidade de Khan Sheikhoun, que está há dias sob fogo das forças sírias.

Mas uma intervenção militar não está no horizonte imediato. Autoridades americanas afirmam que estão focando na pressão econômica e o governo de Barack Obama diz que não vai considerar intervir com suas tropas ou dar armas aos rebeldes. Além da vontade política, qualquer plano militar deveria passar pelo Conselho de Segurança da ONU e certamente seria barrado por Moscou e Pequim.

Com Reuters, Efe e AE

 

 

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